O crescimento das produções audiovisuais indígenas, a importância da formação de cineastas índios e a inserção no mercado cinematográfico de maneira mais ampla. Esses foram alguns dos assuntos debatidos nesta quarta-feira (8/12), no painel “O fortalecimento do audiovisual indígena: a voz pelas imagens e difusão às histórias locais”, realizado durante o MAX – Minas Gerais Audiovisual Expo 2021.
Mediado pelo cineasta da Indiana Produções, Marco Altberg, o painel contou com a participação do diretor do Coletivo Kuikuro de Cinema, Takumã Kuikuro, da cineasta do Coletivo Audiovisual Munduruku Daje Kapap Eypi, Beka Munduruku, e do cineasta da Buriti Filmes, Luiz Bolognesi. Além de discutir e valorizar o papel do audiovisual na luta dos povos originários pela conservação dos seus costumes e pela preservação das florestas, o debate destacou o potencial que a produção indígena pode ter para a narrativa e para o mercado cinematográfico brasileiro.
Segundo o cineasta Luiz Bolognesi, o cinema indígena tem um modo de produção mais coletivo, uma visão holística e uma inventividade que podem contribuir muito para a renovação do audiovisual brasileiro nos próximos anos. “Hoje, há uma quantidade enorme de coletivos indígenas produzindo filmes, com muitas produções significativas. Acredito que o próximo passo seria os curadores dos festivais e premiações os colocarem competindo lado a lado com outras produções e não em uma categoria específica”, salientou.
Para o diretor Takumã Kuikuro, o audiovisual é uma ferramenta de luta e de resistência dos povos originários. Todavia, ele questiona sobre onde se quer chegar com o cinema feito pelos indígenas. “Nós queremos circular os vídeos entre os povos indígenas e também participar do mercado brasileiro de maneira ampla, não só em mostras etnográficas. Gostaríamos de participar em festivais e mostras competitivas importantes como Gramado e Brasília e de ter filmes em cartaz na Netflix e Globoplay. Queremos atingir todos os públicos”, afirmou.
Formação
Ainda segundo Takumã Kuikuro, a formação de autores indígenas para o audiovisual é muito importante para o resgate da memória e o fortalecimento da cultura indígena dentro das aldeias. “Tive o primeiro contato com o audiovisual em 2002, por meio de uma ONG, e hoje, sou um multiplicador desse conhecimento, formando cineastas indígenas em diversas aldeias do país”, comentou.
Já a cineasta Beka Munduruku, que lidera um coletivo audiovisual feminino na região do médio Tapajós, no Pará, destacou que o seu trabalho vem inspirando muitas jovens a atuar na área. A ideia, segundo ela, é usar o audiovisual para registrar memórias e costumes e, também denunciar as ameaças que acontecem dentro do território Munduruku. Para isso, são realizadas oficias e cursos de técnicas de filmagens. “O objetivo é ser protagonista da nossa própria história, reforçando a nossa sabedoria e a nossa cultura, e buscando justiça para a floresta”, destacou.
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