Rosinalva Neres Rocha, gestora da Escola Estadual Professora Deys Lopes Jardim, de Itaobim, cidade localizada no Vale do Jequitinhonha, conquistou nesta quarta-feira (6/5) o terceiro lugar na categoria “Jornada de Gestão Educacional Transformadora”, na etapa nacional do “Prêmio Educador Transformador”, promovido pelo Sebrae em parceria com o Instituto Significare e a Bett Brasil. A premiação aconteceu durante a Bett Educar, o maior evento de inovação e tecnologia para a educação da América Latina, realizado em São Paulo.
O Prêmio Educador Transformador reconhece e impulsiona práticas educacionais inovadoras na educação e valoriza o protagonismo de professores e gestores que desenvolvem soluções criativas para os desafios reais do ensino.

O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, que participou do evento por vídeo, evidenciou o papel dos educadores e gestores. “Transformar a educação é um esforço coletivo que começa com lideranças capazes de ouvir, planejar e mobilizar professores, estudantes e comunidades. Os gestores reconhecidos fazem da gestão uma ferramenta de transformação social, fortalecendo a educação municipal e comunidade, contribuindo para o desenvolvimento dos territórios e do nosso país”, comemorou.
Durante o processo de seleção, os projetos que conquistaram o primeiro lugar nas Jornadas Estaduais seguiram para a etapa nacional. Ao todo, foram 5.560 inscrições, de participantes de 27 estados, que concorreram em três categorias: Inovação Pedagógica e Metodologias Ativas; Inclusão e Sustentabilidade na Educação; e Gestão Educacional Transformadora.
Os participantes tiveram de seguir os princípios do design thinking, para apresentar o problema educacional que desejariam enfrentar e, assim, avançar para as fases de imersão, ideação, prototipagem e desenvolvimento. Nesse percurso, o educador era provocado a responder sobre os desafios, a proposta de inovação e o impacto concreto do projeto na aprendizagem e na comunidade.
Jornada de Gestão Educacional Transformadora
A gestora foi reconhecida pelo projeto “Vozes que Rompem o Silêncio”, desenvolvido a partir de um olhar atento às relações dentro da própria escola. Rosinalva identificou que muitos estudantes sofriam com violência simbólica, frequentemente disfarçada de “brincadeiras” envolvendo aparência física, raça, gênero e sexualidade, um cenário que gerava sofrimento emocional e contribuía para a evasão escolar.
Diante disso, ela percebeu a necessidade de um projeto estruturado para enfrentar o problema. A iniciativa teve início em 2023 e utilizou a metodologia Design Thinking para chegar a uma solução criativa: transformar a rádio da escola em um espaço de produção de podcast, com participação ativa dos próprios alunos.
“O projeto transformou a escola em um ambiente de diálogo e acolhimento. Os estudantes passaram a discutir temas como interseccionalidade, decolonialidade e diversidade, já que todas as pautas trabalhadas foram levantadas por eles”, afirmou Rosinalva.
Os resultados foram expressivos. A escola, que chegou a correr risco de fechar e tinha entre 60 e 120 alunos, hoje conta com mais de 500 alunos matriculados. O engajamento cresceu com a adoção de uma abordagem interdisciplinar: professores de Português colaboram na análise textual e nos gêneros trabalhados para o podcast, enquanto o curso técnico de Informática atua na produção digital do conteúdo.
Para o futuro, a gestora aponta como objetivo consolidar o projeto como política permanente da escola, inspirar outras instituições e abrir caminho para a formação de docentes em escuta ativa e convivência escolar.
Bett Brasil
A Bett Brasil reúne 47 mil educadores, líderes e especialistas, 330 expositores, 450 palestrantes e representantes de 22 países, que trocam experiências sobre iniciativas que estão transformando o ensino no Brasil e no mundo. O evento ocorre em São Paulo até sexta (8).
Principal ponto de encontro da comunidade educacional da América Latina, o evento tem o objetivo de promover conexões, fomentar negócios e impulsionar a inovação no ensino. A proposta é estimular o diálogo entre inteligência humana, coletiva e artificial, para repensar práticas educacionais e construir caminhos mais inovadores e inclusivos.
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