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Jovem retorna ao campo e encontra na queijaria a oportunidade de empreender no Norte de Minas

Uma das atrações do evento em BH, Fernando deixou a carreira na Engenharia Civil para se dedicar à Queijaria Recanto do Queijo, em Porteirinha
Por Ricargo Guimarães
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“Tive a oportunidade de trabalhar em outros setores, mas acreditei no potencial do queijo artesanal”. A escolha é do produtor rural Fernando Alves Souza, da cidade de Porteirinha, no Norte do estado. Aos 31 anos, ele deixou a carreira na engenharia civil para dedicar-se em tempo integral à Queijaria Recanto do Queijo.

Filho de produtor de leite, Fernando conta que não percebia oportunidades de crescimento na fazenda da família, até que um amigo o levou para conhecer uma queijaria, e ele passou a vislumbrar novas possibilidades. No primeiro ano do negócio, concentrou a produção em um cliente fixo. Após se capacitar para melhorar a qualidade produtiva, conseguiu ganhar mercado.

Com pouco mais de quatro anos de existência, é possível encontrar o produto em diversas cidades da região e em outros estados, especialmente, São Paulo. Por dia, são produzidos de 45 a 50 peças de queijo, entre os tipos fresco, de massa cozida e de massa cozida maturada, todos com um estilo próprio de fabricação, motivo de orgulho do produtor.

“Ao iniciar na atividade, fiz uma imersão em uma das queijarias mais tradicionais da região para ter orientações sobre o modo de fabricação. Depois, uma capacitação com foco em agroindústria me permitiu ajustar etapas da produção, que passou a ser feita em grande escala. Apesar disso, sigo com 90% do processo manual, peça por peça”, salienta.

Desafios

O controle de qualidade é apontado pelo produtor como diferencial para boa aceitação do produto. “Usamos o leite produzido na fazenda para controlar a qualidade, com análises diárias. Também investimos na higienização do espaço e em cuidados como embalagem, entrega e relacionamento com o cliente”, destaca. Possuir a matéria-prima no quintal de casa possibilita driblar um dos maiores desafios produtivos: a regularidade de leite na região, impactada pela recorrente escassez hídrica.

Agora, o próximo passo é ganhar novos mercados. “Nosso foco é buscar o reconhecimento do modo de fazer local para a região da Serra Geral como produtora de queijo artesanal. Isso vai trazer maior visibilidade e rentabilidade aos produtores”, destaca o produtor que também integra a diretoria da Associação de Produtores de Queijos Artesanais da Serra Geral (Aproqueijo) e a Comissão Técnica do Queijo Minas Artesanal do Sistema Faemg Senar.

O intenso trabalho à frente do empreendimento tem garantido retorno e projeção nacional. Em 2025, foi medalhista no Prêmio Queijo Brasil, em Blumenau/SC, na categoria Queijo Minas Artesanal. Neste ano, ele projeta ainda mais retorno durante o Festival do Queijo Artesanal de Minas. “É um dos eventos com melhor retorno de vendas e novas relações comerciais. Estive em 2025 e retorno agora, em 2026”, conta.

Serra Geral

A região conta com centenas de pequenos produtores e agroindústrias de derivados de leite. Somente em Porteirinha, são em torno de 150 queijarias, responsáveis por uma produção média de 210 mil peças de queijo por mês, segundo dados da Emater. A cidade é uma das integrantes da Serra Geral, que é composta por outros 16 municípios do Norte de Minas: Catuti, Espinosa, Gameleiras, Janaúba, Jaíba, Mamonas, Matias Cardoso, Mato Verde, Monte Azul, Montezuma, Nova Porteirinha, Pai Pedro, Riacho dos Machados, Santo Antônio do Retiro, Serranópolis de Minas e Verdelândia.

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