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Turismo de experiência fortalece vinícola e abre novos mercados para produtora rural de Pará de Minas

Com apoio do Sebrae Minas, Marilene Ribeiro estruturou gestão, diversificou as fontes de receita, e abriu as portas da fazenda para receber visitantes
Por Thiago Carvalho
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Conhecer de perto o cultivo de uvas e aprender sobre a produção de vinhos mineiros. Essa é a experiência oferecida pela viticultora Marilene Soares Ribeiro Batista, na Quinta Maria Soares, um negócio rural inovador localizado na comunidade de Limas do Pará, zona rural de Pará de Minas, na região Centro-Oeste do estado.

Apaixonada por vinhos, Marilene iniciou o empreendimento, pioneiro no município, em 2020, durante a pandemia. Antes disso, havia visitado diversas vinícolas pelo país quando descobriu a técnica da dupla poda, inovação desenvolvida por pesquisadores brasileiros que viabilizou a produção de vinhos finos em diferentes regiões do Brasil. Incentivada pelo filho Felipe Luis, que a presenteou com as primeiras mudas, ela decidiu investir no cultivo de uvas.

Com o apoio da família, implantou os primeiros vinhedos e realizou a colheita inaugural, em 2022. Na ocasião, foram produzidos cerca de 700 quilos de uvas, que deram origem a 600 garrafas de um vinho suave. A experiência serviu de aprendizado e motivou novos investimentos em variedades mais adequadas ao terroir local, como as uvas Syrah e Lorena. “Percebemos que era possível produzir vinhos de qualidade na nossa região. Começamos devagar, aprendendo com cada safra, até chegar ao produto que temos hoje”, relembra.

Atualmente, a propriedade possui cerca de quatro mil pés de uva plantados, e produz vinhos que levam a marca Quinta Maria Soares. Destaque para o rótulo Olívia 2024 Syrah, criado em homenagem à neta da produtora, nascida no mesmo período da colheita que originou o vinho.

Vinho transformado em destino turístico

Desde o início do projeto, Marilene imaginava abrir a propriedade para receber visitantes, e o plano ganhou força a partir do acompanhamento do Sebrae Minas, por meio do programa ALI Rural. Com orientação especializada, a empreendedora estruturou processos internos, implantou controles de estoque, planejamento de compras, melhorias operacionais e aperfeiçoou a experiência oferecida aos clientes.

“Sonhávamos em trabalhar com visitação e degustação, mas foi com o apoio do Sebrae que conseguimos transformar essa ideia em negócio. Recebemos orientações sobre planejamento e tivemos o incentivo necessário para dar os primeiros passos nessa transição da produção para a experiência turística”, destaca.

Hoje, os visitantes são recebidos com um brunch preparado com produtos da fazenda, percorrem os vinhedos e conhecem as etapas de cultivo das uvas e da produção dos vinhos. A experiência também inclui a comercialização de produtos artesanais produzidos pela família, além de parcerias com grupos de bordado, profissionais de bem-estar e atividades voltadas ao contato com a natureza.

Incremento na receita

A nova estratégia trouxe resultados expressivos e crescentes. Em maio, deste ano, foram 82 visitantes e, em junho, 111. O aumento da demanda fez com que as visitas, inicialmente realizadas apenas aos domingos, fossem ampliadas para os sábados e, também, para grupos agendados durante a semana. “Saímos de uma receita baseada quase exclusivamente na venda de vinhos, para um negócio que tem várias fontes de renda. A visitação e o café da manhã passaram a representar uma parcela muito importante do faturamento, que deve ter aumentado cerca de 20 vezes em relação ao inicial”, afirma.

Além do turismo de experiência, a empreendedora passou a explorar novas oportunidades de mercado. Em abril deste ano, a Quinta Maria Soares começou a oferecer o espaço para ensaios fotográficos, aproveitando a paisagem dos vinhedos como cenário. A iniciativa tem contribuído para ampliar a divulgação espontânea do empreendimento e fortalecer a presença da marca nas redes sociais.

Gestão que gera resultados

Além do crescimento financeiro, a produtora também passou a ter mais controle sobre a operação do negócio. A definição da capacidade ideal de atendimento, sem necessidade de contratação de mão de obra adicional, e a ampliação do mix de produtos comercializados ajudaram a tornar a atividade mais sustentável e competitiva. O resultado é um empreendimento que une agricultura, turismo, gastronomia e experiência, mostrando como inovação e gestão podem abrir novos caminhos para os pequenos produtores rurais.

A analista do Sebrae Minas Isabela Menezes destaca que o principal ganho proporcionado pelo ALI Rural está na capacidade de ajudar os produtores a enxergarem novas oportunidades de negócio a partir do que já possuem. “Com processos mais organizados, planejamento e controle de custos, o produtor tem mais tempo e clareza para identificar oportunidades de mercado e transformar boas ideias em novos negócios. Foi exatamente o que aconteceu com a Marilene, que conseguiu agregar valor à propriedade e criar novas fontes de receita a partir da experiência que oferece aos visitantes”, explica.

Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Centro-Oeste e Sudoeste

Thiago Carvalho (Stark)
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