ASN MG Atualização
Compartilhe

Sebrae Minas promove capacitação para mães atípicas empreendedoras

Trilha online reúne oficinas práticas e mentorias individuais, visando oferecer suporte, acolhimento e orientação para as empreendedoras
Por Karla Lamounier
ASN MG Atualização
Compartilhe

Em maio, mês das mães, o Sebrae Minas lança uma trilha de capacitação online voltada especialmente para mães atípicas empreendedoras. A iniciativa busca apoiar mulheres que conciliam os desafios do cuidado com filhos atípicos à gestão do próprio negócio, oferecendo capacitação prática, ferramentas de organização e suporte especializado.

A formação será composta por 21 horas de oficinas, divididas em quatro módulos: Identidade Empreendedora e Potência das Mães Atípicas; Planejamento e Organização Realista; Produtividade, Processos e Ferramentas Digitais; e Comunicação Digital, Marketing Autêntico e Inteligência Artificial. Além das oficinas, cada participante contará com mentorias individuais.

As atividades terão início em 18 de maio, e serão realizadas de forma 100% on-line, abertas a empreendedoras de todo o estado. As inscrições já estão abertas, clicando aqui.

A trilha será ministrada pela consultora, palestrante e especialista em comunicação e liderança inclusiva, com reconhecida atuação em deficiência, maternidade e cuidado, Patrícia Salvatori. Segundo ela, o cuidado atípico ainda é invisibilizado pela sociedade e exige das mães uma rotina intensa de organização, gestão emocional e adaptação constante.

Trilha de capacitação para mães atípicas será ministrada pela consultora Patrícia Salvatori. Crédito: Divulgação
Trilha de capacitação para mães atípicas será ministrada pela consultora Patrícia Salvatori. Crédito: Divulgação

Confira, a seguir, uma entrevista com a consultora para a Agência Sebrae de Notícias (ASN-MG):

ASN-MG: Quais são os maiores desafios invisíveis enfrentados por mães atípicas hoje?

P.S.: O principal é o acúmulo que ninguém vê. Não é só cuidar, é coordenar uma rotina complexa de saúde, educação, terapias e burocracias, muitas vezes sem rede de apoio.

Isso consome tempo, energia e organização mental e impacta diretamente qualquer tentativa de gerar renda. Por isso, desenvolver estratégias mais eficientes de organização e gestão não é luxo, é necessidade.

ASN-MG: O que a sociedade ainda não entende sobre o cuidado atípico?

P.S.: Ainda se trata como algo pontual ou emocional, quando na prática é uma condição permanente que reorganiza toda a vida.

Existe uma expectativa silenciosa de que a mulher dê conta de tudo sem impacto profissional, o que não se sustenta. Quando isso não é compreendido, essas mulheres acabam tendo que criar seus próprios caminhos, muitas vezes sem orientação.

ASN-MG: Como o mercado de trabalho e a sociedade podem acolher melhor essas mães?

P.S.: Não é uma questão de empatia, é de modelo.

Hoje, o mercado ainda está organizado para uma lógica de disponibilidade contínua, previsibilidade e alta performance linear, exatamente o oposto da realidade de quem vive o cuidado atípico. Enquanto isso não for revisto, essas mulheres seguirão sendo empurradas para fora ou para soluções improvisadas.

Do ponto de vista da sociedade, ainda há uma expectativa de que essas mulheres resolvam tudo no âmbito privado. Isso invisibiliza o problema e isola quem está nessa realidade.

Por isso, muitas acabam criando seus próprios caminhos no empreendedorismo. Mas, sem acesso a informação e estrutura, esse caminho tende a ser mais difícil do que precisa ser.

E é aqui que entra um ponto importante: quanto mais essas mulheres entendem de gestão, posicionamento e organização do próprio trabalho, mais conseguem transformar uma saída forçada em uma alternativa mais sustentável.

ASN-MG: Empreender é uma escolha ou, muitas vezes, uma necessidade?

P.S.: Na prática, para muitas mães atípicas, o empreendedorismo não começa como vocação, começa como uma saída possível diante de um mercado que não acomoda a vida real.

A necessidade surge de um desencaixe estrutural: rotinas imprevisíveis de cuidado, ausência ou fragilidade de rede de apoio, custos elevados com saúde e educação e um modelo de trabalho que exige presença contínua e disponibilidade que simplesmente não existem.

Diante disso, o empreendedorismo aparece como uma forma de recuperar algum controle sobre o tempo e a renda. Não porque seja mais fácil, mas porque é o que cabe. O problema é que, quando essa entrada acontece sem preparo, o que se ganha em flexibilidade muitas vezes se perde em estabilidade.

A renda oscila, a sobrecarga aumenta e o negócio passa a disputar energia com o cuidado, em vez de se integrar a ele. É aqui que a lógica muda: quando há acesso a conhecimento, ferramentas e orientação, o empreendedorismo deixa de ser apenas uma resposta emergencial e passa a ser uma construção mais intencional.

ASN-MG: Qual a importância de procurar apoio e redes de empreendedorismo feminino?

P.S.: Tentar estruturar um negócio sozinha, vivendo uma rotina de cuidado atípico, costuma levar à sobrecarga e a decisões pouco sustentáveis. Não por falta de capacidade, mas por falta de troca, referência e acesso a caminhos já testados.

Quando essas mulheres entram em redes ou programas estruturados, deixam de operar só no improviso. Passam a entender melhor como organizar o negócio, como precificar, como se posicionar e, principalmente, como adaptar tudo isso à própria realidade.

Mas é importante diferenciar: nem todo espaço coletivo gera esse avanço. Se for só acolhimento, ajuda no emocional, mas não resolve a renda.

A Rede Mães Atípicas, que eu criei em 2019, nasceu justamente dessa lacuna. Não como um grupo de apoio, mas como um ecossistema voltado à autonomia econômica, conectando mulheres, dando visibilidade aos negócios e criando oportunidades reais de circulação de renda.

E quando isso se soma a iniciativas mais estruturadas, como o programa Sebrae Delas, o impacto é ainda maior. Porque entra método, ferramenta, organização. A mulher deixa de só “tentar fazer dar certo” e passa a construir com mais clareza e intenção.

-

As inscrições para a trilha Mães Atípicas Empreendedoras podem ser feitas clicando aqui. As vagas são limitadas.

-

Assessoria de Imprensa Sebrae Minas

(31) 3379-9276 / 9278 / 9139

(31) 9.9887-2010 (WhatsApp)

[email protected]

  • capacitação
  • Mães atípicas
  • mães empreendedoras
  • Patrícia Salvatori
  • sebrae minas
  • Trilha de Capacitação