Um grupo de mulheres produtoras de café da Mantiqueira de Minas, no Sul do estado, foi notícia em uma das mais importantes publicações sobre cafeicultura da Austrália: a Revista Bean Scene. A reportagem, divulgada em fevereiro deste ano, destaca a parceria entre brasileiros e australianos na comercialização do café, considerada a segunda bebida mais consumida no mundo.
Tudo começou com uma iniciativa da empresa Southland Merchants, comandada pela mineira de Montes Claros, Nádia Moreira, que junto com o marido, também brasileiro, se mudaram para a Austrália onde abriram, em sociedade, a importadora de cafés especiais do Brasil.
Após trabalhar com alguns produtores de cafés brasileiros, Nádia percebeu que muitos deles tinham dificuldades para entender sobre a comercialização do produto fora do país de origem. “Alguns deles não sabiam sobre a qualidade do café que produziam e nem tinham conhecimento das exigências que o mercado internacional fazia. Foi aí que tivemos a ideia de ajudar de alguma forma”, explica a sócia e diretora comercial da Southland.
Em contato com outros profissionais do setor aqui no Brasil, Nádia tomou conhecimento do programa Educampo – uma iniciativa do Sebrae Minas que oferece consultorias especializadas em gestão para negócios rurais – e também da Associação de Mulheres Empreendedoras de Café da Mantiqueira de Minas (AME), que reúne cafeicultoras de nove municípios do Sul de Minas: São Gonçalo do Sapucaí, Campanha, Cambuquira, Conceição do Rio Verde, Lambari, Heliodora, Pedralva, São Sebastião da Bela Vista e Jesuânia.
Capacitação
Em maio de 2021, os três elos dessa história se uniram. As 12 produtoras rurais da AME, estimuladas pela Southland, participaram do Educampo, “O programa funciona ‘porteira para dentro’, ou seja, é direcionado para o planejamento de plantio, levantamento de custo e preços, inventário e toda gestão do negócio”, explica a analista do Sebrae Minas Ticiana Lopes.
A produtora de café Leda Fernandes tem uma propriedade de sete hectares, no município de Lambari, e colhe uma média de 150 sacas por safra. Ela lista os benefícios obtidos pelo programa do Sebrae Minas. “Aprendi a avaliar melhor a minha lavoura antes de adubar, evitando desperdícios. Além disso, consegui gerenciar, cuidar do caixa, fazer investimentos mais assertivos em maquinário e separar os lucros do negócio das minhas finanças pessoais”, explica a cafeicultora.
Para a presidente da AME, Simone Carneiro de Morais Sousa, os resultados vão além. “Hoje, elas já sabem o custo real de uma saca. Além disso, passaram a entender a importância da divulgação da nossa identidade e da origem do produto”, comenta Simone.
Exportação
Leda foi a primeira do grupo a exportar para a empresa australiana Southland Merchants. Quase um ano depois, ela faz as contas do avanço. “Em 2020, colhemos 150 sacas de café. Já em 2021, foram 200 sacas. Para os próximos anos, quero chegar a 400 sacas. O céu é nosso limite”, comemora a produtora de café.
O resultado mais recente dessa parceria Brasil – Austrália foi a comercialização de um contêiner com 320 sacas de café produzido pela AME, que deve chegar ao destino em abril deste ano.
-
Assessoria de Imprensa | Prefácio Comunicação
Juliana Campos Silva – (35) 99204-0098
