Após décadas dividindo o tempo entre a rotina bancária e o desejo de produzir queijos artesanais, José Valério de Souza Filho encontrou, depois da aposentadoria, uma oportunidade de transformar uma antiga paixão em modelo de negócio consistente. Hoje, ele está à frente de uma Queijaria Bonanza produção familiar de queijos em Pedra Bonita, no Vale do Jequitinhonha, e representando uma nova geração que ajuda a fortalecer e dar visibilidade ao queijo cabacinha mineiro.
Ex-funcionário do Banco do Brasil, José Valério teve o primeiro contato com a produção de queijos entre 1993 e 1994. Ele adquiriu a fazenda da família em Pedra Bonita, onde amadureceu o desejo de retomar a produção. Foi somente em 2018, após se aposentar da instituição financeira, que iniciou de forma ininterrupta a fabricação do tradicional queijo cabacinha.
“Comecei a me interessar pela produção por influência de meu cunhado. Mas não tive como conciliar as duas coisas em virtude do meu trabalho no banco Esperei anos para finalmente começar a produção”, relembra o produtor.
Atual presidente da Associação dos Produtores do Queijo Artesanal Cabacinha do Vale do Jequitinhonha (Aprocaje), José Valério é o segundo produtor da região a obter o registro de inspeção sanitária para comercializar o queijo local – no ano passado, José Alves dos Santos, do município de Joaíma, recebeu o certificado, impulsionando a região na busca por novos consumidores no país.
A partir da certificação, José Valério espera ampliar a presença do produto em eventos. O primeiro dele será o Festival do Queijo Artesanal de Minas (FQAM), no Expominas, de 4 a 6 de junho, em Belo Horizonte. Posteriormente, eles esperam levar os produtos na Expoqueijo de Araxá e no Festival Nacional do Queijo, em Blumenau-SC.
“Queremos fazer bonito e apresentar nossos melhores queijos. Em Belo Horizonte, No Festival do Queijo Minas Artesanal, é uma oportunidade única para ganharmos visibilidade e novos mercados. Temos um potencial de crescimento, pois nossos produtos são muito versáteis. Os queijos podem ser degustados com café, cachaça ou mesmo como uma sobremesa”, destaca.
Desafio da mão-de-obra
Ao lado da esposa, Paloma, e de outros três funcionários, José Valério produz atualmente queijo tradicional, coalho, maturado, goiabada e doce de leite. A propriedade também recebe visitantes interessados em conhecer o processo artesanal e participar de degustações dos produtos.
Segundo ele, o trabalho artesanal exige técnica, precisão e sensibilidade no manuseio. “Costumo dizer que somos artesãos, pois moldamos o queijo manualmente. E é uma tarefa muito difícil, já que é preciso coordenação motora para que o formato fique perfeito. Um dos nossos desafios é conseguir mão-de-obra qualificada”, afirma.
Nove municípios envolvidos
Mais do que um negócio, a produção se tornou uma missão de valorização da cultura alimentar do Vale do Jequitinhonha. A Aprocaje foi fundada em 2023, com o apoio do Sebrae Minas. Atualmente, a entidade reúne 30 associados, dentro de um universo de aproximadamente 300 produtores distribuídos em nove municípios: Cachoeira do Pajeú, Comercinho, Divisópolis, Itaobim, Jequitinhonha, Joaíma, Medina, Pedra Azul e Ponto dos Volantes. Juntas, essas cidades somam uma produção anual estimada em 214 toneladas.
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