Elas arregaçam as mangas e fazem malabarismo para cuidar da casa, dos filhos, dos pais e também dos negócios. Assim, é a rotina de muitas empreendedoras brasileiras. Mesmo com os avanços na distribuição das tarefas domésticas, entre homens e mulheres, o maior peso da responsabilidade continua com elas.
Neste cenário, tornar-se empreendedora pode ser ainda mais desafiador. Essa é a opinião de Alessandra Cristina de Oliveira Silva, empreendedora e proprietária da Thesouros Processos Empresariais, empresa de consultoria em finanças, de Alfenas, no Sul de Minas.
“Enquanto o homem, na maioria das vezes, só preocupa com o negócio e com uma ou outra tarefa doméstica, nós mulheres, temos que dar conta da roupa, da comida, dos filhos, dos pais, estudos e ainda dos negócios”, explica a empreendedora.
Alessandra decidiu empreender há 1 ano, após abrir mão de uma carreira de sucesso como executiva na área de finanças em uma empresa, em que trabalhou por 13 anos. “Não se trata apenas de dinheiro e sim do poder de escolha, de fazer a diferença na vida dos clientes e da minha liberdade”, comenta.
Remando contra a maré
Empreender não estava nos planos de Alessandra. Filha de um operário e uma dona de casa, ela concluiu a faculdade de Administração e conseguiu um estágio em uma distribuidora da cidade, onde foi efetivada e lá permaneceu por 13 anos.
“Empreender sempre teve um tom pejorativo para a minha família. Para eles, o correto seria ter um bom emprego, em uma empresa privada, e lá se aposentar. Esse foi um conceito que permeou minha criação e se impregnou em meu subconsciente”, comenta a consultora em finanças.
Mesmo com as crenças da família, ela mal sabia que já era uma empreendedora. “Sempre me comportei como dona do negócio, pensando no melhor para a empresa e para os colaboradores. Considero que foi mais que dedicação foi uma paixão”.
O tempo passou e as cobranças pelo inatingível se tornaram mais frequentes, o que levaram Alessandra a um esgotamento profissional e emocional. Ela foi diagnosticada com a Síndrome de Burnot, um distúrbio psíquico causado pela exaustão extrema relacionada ao trabalho.
Foi quando Alessandra aceitou que era hora de mudar. Ela tirou um tempo para refletir sobre a vida profissional. “Saí da empresa e, do dia para a noite, perdemos 75% da renda familiar. Meu esposo trabalha no ramo de construção civil, como pintor. Resolvi então ajudá-lo a estruturar o empreendimento, dando mais atenção às finanças, que sempre foi minha paixão. Em pouco tempo, dobramos o faturamento”, justifica a empreendedora
Foi assim que Alessandra descobriu que poderia ajudar outras pessoas com o seu talento e a bagagem adquirida ao longo da vida profissional. Dessa forma, nasceu, em janeiro de 2020, a Thesouros Processos Empresariais, com o propósito de orientar empresários sobre organização financeira e capacitar outras pessoas sobre a importância do controle das finanças sejam elas da empresa ou pessoais.
Mas, como nada é fácil na vida de Alessandra, logo nos primeiros meses, a empresa enfrentou de cara a pandemia. Mas, como já havia se precavido sobre a modernização dos processos da empresa, ela já havia iniciado a estruturação do atendimento on-line.
Outra dificuldade foi a busca por clientes. No início, Alessandra teve a ajuda de um grupo de mulheres empreendedoras de Alfenas, por onde iniciou a sua rede de contatos e para as quais ofereceu os primeiros serviços. Alguns gratuitos, que se tornaram propaganda ‘boa a boca’.
Um ano depois, a Thesouros Processos Empresariais multiplica bons resultados. “Já alcancei 60% da renda que tinha quando funcionária, mas sei que é só o começo. Hoje, trabalho em esquema home office, atendo meus clientes on-line, e vivo momentos únicos como mãe e esposa. Me curei totalmente da Síndrome de Burnout. Ganhei a minha vida de volta. Ainda sou pequena, mas trabalho como grande”, comemora.
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