O setor cultural foi um dos mais impactados pela pandemia. Dados de maio da pesquisa “Impactos do coronavírus nos pequenos negócios”, feita por Sebrae e Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostram que os pequenos negócios da economia criativa chegaram a registrar queda de 68% no faturamento. Para driblar a crise e manter os projetos ativos, muitos profissionais do segmento da música recorreram a novas fontes de renda e se adaptaram ao mundo digital.
O músico Lucas André de Paula, violeiro e cantor da banda mineira Pássaro Vivo, de Patos de Minas, sentiu os efeitos da crise econômica. Segundo ele, para o grupo não encerrar as atividades, cada integrante precisou desenvolver outras habilidades que permitissem diversificar as próprias receitas. “Com a impossibilidade de tocar ao vivo, direcionamos nossa energia para editais e festivais on-line. Cada um montou o próprio escritório em casa e nos dedicamos a captar recursos por meio de leis de incentivo e a inscrever a banda em eventos virtuais”.
No fim do ano passado, Lucas e um colega da banda também participaram do curso Gestão de Carreiras Musicais, oferecido por meio do Programa de Desenvolvimento de Carreiras do Sebrae Minas. O músico conta que a capacitação os ajudou tanto na formação empresarial quanto artística. “O curso ampliou nosso olhar em todos os sentidos. Além de contribuir filosófica e musicalmente, tivemos acesso a dicas importantes sobre o mercado de eventos, de como empreender no ramo musical e de como pensar a banda como um negócio sustentável.”
Na trilha dos festivais
Composta pelo baterista e flautista, Ciro Nunes; pelo vocalista, Cello; pelo violonista, Alexandre Rosa; pelo contrabaixista Alan Delay, além de Lucas de Paula, a Pássaro Vivo foi formada em 2018. Com composições autorais, a banda passeia por ritmos brasileiros e pelo rock psicodélico dos anos 60 e 70.
Foi apostando nessa sonoridade diversa que o grupo conquistou vários prêmios em festivais pelo país, entre eles o segundo lugar na edição especial virtual do Festival Nacional da Canção, em 2020. A banda também foi contemplada pelo edital da Natura Musical, um importante programa de fomento à cultura.
Para Lucas de Paula, o momento ainda é complicado, mas a expectativa é que, brevemente, a banda volte a fazer shows com a presença de público e, consequentemente, o faturamento aumente. “A fonte de renda ainda é escassa, mas cada um está se virando como pode. Nossa esperança é voltar a nos apresentar o quanto antes e fortalecer, ainda mais, essa experiência digital, à qual fomos obrigados a nos adaptar para sobreviver”, finaliza.
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