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Caged Julho: Micro e pequenas empresas responderam por 100% do saldo positivo de novas vagas no estado

BH foi o município que mais gerou empregos nas MPEs; perfil das contratações revela a presença expressiva de jovens e mulheres
Por Josiane Silveira
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As micro e pequenas empresas (MPEs) foram responsáveis por todo o saldo positivo de empregos formais gerado em Minas Gerais em julho. Enquanto os pequenos negócios abriram 7.936 postos de trabalho, as médias e grandes empresas registraram saldo negativo de 2.718 vagas. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), analisados pelo Sebrae Minas, mostram uma queda de 75,06% no saldo em relação a junho, mas crescimento de 51,27% na comparação com julho de 2025.

O resultado ocorreu em um cenário de mudança na dinâmica sazonal do mercado de trabalho mineiro. Em junho, a agropecuária havia sido o principal motor da geração de vagas, impulsionada pela colheita do café. Com o encerramento dessa etapa, parte dos trabalhadores temporários deixou as atividades rurais, contribuindo para a redução do saldo no mês seguinte. O cultivo de café, por exemplo, registrou saldo negativo de 2.088 vagas nas MPEs em julho. Apesar disso, a atividade continua sendo a que mais gerou empregos formais no acumulado do ano entre os pequenos negócios, com 14.799 postos de janeiro a julho.

De modo geral, a Construção Civil liderou a geração de empregos em Minas Gerais, com saldo de 3.441 vagas, seguida pela Agropecuária, com 1.392, e pela Indústria de Transformação, com 697. Entre as MPEs, entretanto, o destaque foi para Serviços, que abriu 4.716 postos. A Construção Civil veio em seguida, com 2.154 vagas. O Comércio, que apresentou saldo negativo de 627 postos no resultado geral do estado, teve desempenho positivo entre os pequenos negócios, com 376 novas vagas.

A capital mineira foi o município que mais gerou empregos nas MPEs em julho, com 3.698 novas vagas, seguida por São Gotardo, com 688, e Rio Paranaíba, com 561. No saldo geral, Rio Paranaíba liderou o ranking estadual, com 1.201 postos, à frente de Betim (1.097) e São Gotardo (1.019).

O perfil das contratações nas MPEs também revela a presença expressiva de jovens e mulheres. O saldo de empregos para trabalhadoras foi de 5.242 vagas, quase o dobro do registrado entre os homens, que ficou em 2.694. A faixa etária de 18 a 24 anos concentrou saldo de 4.919 postos, enquanto trabalhadores com ensino médio completo responderam por 7.273 vagas. O salário médio de admissão nas pequenas empresas foi de R$ 2.183,28, acima dos R$ 2.148,91 pagos, em média, aos trabalhadores desligados.

O que esperar da economia nos próximos meses?
“A transição para o último trimestre de 2026 ocorre em um cenário de moderação gradual da atividade econômica. O resultado do PIB brasileiro no 2º trimestre confirmou a trajetória de desaceleração da economia, captando principalmente os efeitos da política monetária doméstica apertada e efeitos adversos do contexto global, em parte, suavizados pelas medidas de suporte à demanda anunciadas pelo governo.

Nos meses subsequentes, o mercado de trabalho mineiro entrará em uma nova fase sazonal. A desmobilização dos trabalhadores rurais vinculados à entressafra de matrizes agrícolas, como o café nas regiões Sul e Centro-Oeste do estado, tende a dissipar seus efeitos. O protagonismo na geração de vagas desloca-se progressivamente para as operações da Indústria (que iniciam a produção de estoques) e do comércio varejista, visando a estruturação das equipes para os eventos promocionais do último trimestre, como a Black Friday e festividades de final de ano.

As pequenas empresas dos segmentos de varejo, que apresentam menor volatilidade neste cenário, caso não ocorram novos choques inflacionários, aumento adicional do custo do crédito ou agravamento do endividamento das famílias, devem manter papel relevante na sustentação dos saldos positivos do emprego na reta final do ano”, avalia a analista do Sebrae Minas Bárbara Castro.

Sobre o Caged
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), instituído pela Lei nº 4.923, de 23 de dezembro de 1965, foi criado como instrumento de acompanhamento e fiscalização mensal das admissões e dispensas de trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A partir de 1986 passou a ser utilizado como suporte ao pagamento do seguro-desemprego e, mais recentemente, tornou-se um relevante instrumento à reciclagem profissional e à recolocação do trabalhador no mercado de trabalho.

O cadastro constitui importante fonte de informação do mercado de trabalho de âmbito nacional e de periodicidade mensal. Desde janeiro de 2020, o uso do Sistema do CAGED foi substituído gradativamente pelo Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial). Atualmente, todas as empresas estão obrigadas a declarar as movimentações por meio do eSocial.

Sobre Inteligência Sebrae
O Inteligência Sebrae é um observatório de dados, estudos e pesquisas sobre pequenos negócios. Reúne diversos conteúdos socioeconômicos, setoriais e territoriais, que podem ampliar os conhecimentos e embasar a tomada de decisões. É destinado a gestores públicos, lideranças locais, entidades empresariais e todos que necessitam de informações relevantes referentes a desenvolvimento econômico e social dos territórios e dinâmica dos pequenos negócios. O site reúne conhecimentos em nível nacional, estadual, regional e municipal, sendo possível comparar, analisar e entender melhor o território.

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