Minas Gerais abriu 20.805 novos postos de trabalho com carteira assinada em junho, resultado de 239.167 admissões e 218.362 desligamentos. O saldo representa uma alta de 111,65% em relação a maio, quando o estado havia registrado 9.830 vagas. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), com levantamento realizado pelo Sebrae Minas.
O desempenho de junho teve forte participação dos pequenos negócios. As micro e pequenas empresas (MPEs) foram responsáveis por 17.500 vagas, o equivalente a 84,11% de todo o saldo de empregos do estado no mês. As médias e grandes empresas geraram 3.119 postos, enquanto a administração pública respondeu por 186. No primeiro semestre, as MPEs acumulam 69.996 novas vagas e representam 64,23% do saldo total de Minas Gerais.
Entre os municípios, Betim liderou a geração de empregos, com 1.356 novos postos, seguida por Belo Horizonte, com 1.146, e Rio Paranaíba, com 974. No universo das micro e pequenas empresas, a capital mineira ficou na primeira posição, com 1.125 vagas, seguida por São Gotardo, com 563, e Montes Claros, com 429.
Embora junho tenha apresentado uma reação expressiva em relação ao mês anterior, o resultado ainda ficou abaixo do observado no mesmo mês de 2025: o saldo caiu 13,12%, passando de 23.948 para 20.805 vagas. No acumulado do primeiro semestre, a retração chega a 26,95%, em que foram criadas 108.977 vagas, abaixo das 149.187 registradas no mesmo período de 2025. Entre as MPEs, foram 69.996 vagas de janeiro a junho de 2026, contra 99.741 no mesmo período do ano passado, uma redução de 29,82%.
Café garante quase um terço das vagas criadas
A agropecuária foi o principal motor da geração de empregos em junho, com 10.904 novas vagas, seguida por Serviços (4.116), Construção Civil (2.523), Indústria (1.873), e Comércio, com 1.203. Dentro da agropecuária, o destaque foi o cultivo de café, que sozinho gerou 6.764 postos de trabalho no mês, sendo 6.233 nas micro e pequenas empresas.
O peso da atividade também aparece no acumulado do ano. O cultivo de café soma 19.367 vagas entre janeiro e junho, tornando-se a atividade econômica que mais criou empregos formais em Minas Gerais no período. Entre as MPEs, foram 16.666 postos.
O que esperar para os próximos meses?
“O desempenho de junho em nível nacional superou as estimativas de mercado e o avanço do saldo em Minas Gerais não altera o diagnóstico de que o mercado formal opera sob um quadro de perda de dinamismo estrutural. Tanto o resultado isolado do mês quanto o saldo acumulado do primeiro semestre no estado situam-se nos menores patamares registrados para um primeiro semestre desde 2021.
A análise de um amplo conjunto de indicadores confirma uma desaceleração disseminada na geração de postos formais. Esse movimento é coerente com o aperto das condições financeiras e a manutenção de juros elevados. O custo restritivo do crédito, aliado à elevação da inadimplência corporativa e a um ambiente de incerteza econômica, tem reduzido a disposição das empresas para novos investimentos e ampliações de quadro de pessoal.
Para os próximos meses em Minas Gerais, a perda gradual do estímulo sazonal da safra cafeeira, no segundo semestre, exigirá maior resiliência dos setores urbanos. A sustentação do emprego dependerá fundamentalmente do fortalecimento das Micro e Pequenas Empresas (MPEs), da capacidade do setor de Serviços em absorver trabalhadores e de políticas de acesso ao crédito produtivo e melhoria do ambiente de negócios”, avalia a analista do Sebrae Minas Bárbara Castro.
Sobre o Caged
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), instituído pela Lei nº 4.923, de 23 de dezembro de 1965, foi criado como instrumento de acompanhamento e fiscalização mensal das admissões e dispensas de trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A partir de 1986 passou a ser utilizado como suporte ao pagamento do seguro-desemprego e, mais recentemente, tornou-se um relevante instrumento à reciclagem profissional e à recolocação do trabalhador no mercado de trabalho.
O cadastro constitui importante fonte de informação do mercado de trabalho de âmbito nacional e de periodicidade mensal. Desde janeiro de 2020, o uso do Sistema do CAGED foi substituído gradativamente pelo Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial). Atualmente, todas as empresas estão obrigadas a declarar as movimentações por meio do eSocial.
Sobre Inteligência Sebrae
O Inteligência Sebrae é um observatório de dados, estudos e pesquisas sobre pequenos negócios. Reúne diversos conteúdos socioeconômicos, setoriais e territoriais, que podem ampliar os conhecimentos e embasar a tomada de decisões. É destinado a gestores públicos, lideranças locais, entidades empresariais e todos que necessitam de informações relevantes referentes a desenvolvimento econômico e social dos territórios e dinâmica dos pequenos negócios. O site reúne conhecimentos em nível nacional, estadual, regional e municipal, sendo possível comparar, analisar e entender melhor o território.
Assessoria de Imprensa Sebrae Minas
(31) 3379-9276 / 9278 / 9139
(31) 9.9887-2010 (WhatsApp)
[email protected]

