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Queijaria Sô Toni resguarda tradição centenária e projeta a Região do Serro no cenário dos queijos artesanais

Após 35 anos à frente de escritório contábil e jurídico em São Paulo, Raimundo Nonato Santa Rita trocou o terno pela lida no campo, e honra o legado do pai
Por Samuel Martins
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Para Raimundo Nonato Santa Rita, de 70 anos, o sabor do queijo artesanal e as memórias da infância ficaram guardados por décadas. Após três décadas de vida agitada em São Paulo, atuando em escritórios e processos contábeis e jurídicos, em 2017, decidiu voltar para o campo e seguir com o legado familiar. Hoje, está à frente da queijaria que tem nome em homenagem ao pai: “Sô Toní”, situada no município de Paulistas, na Região do Serro.

A história da Queijaria Sô Toni começa muito antes de Nonato. Seu pai, Antônio Santa Rita, o ‘Sô Toni’, aprendeu a fazer queijo aos 14 anos de idade, e dedicou a vida para a atividade. Com leite cru, pingo e coalho, ele seguiu fielmente uma tradição trazida pelos portugueses, há mais de 300 anos, para a região. Foi com ele que Nonato aprendeu cada etapa do processo. “Uma herança que levo ao pé da letra e conservo até os dias de hoje”, recorda.

A decisão de voltar para a roça não foi simples. Nonato havia construído em São Paulo uma carreira sólida. Um dos principais desafios foi a estruturação da queijaria que, hoje, é certificada pelo IMA e tem registro no Selo ARTE. A mesma receita de sempre que garante suavidade, maciez e sabor marcante. Seu queijo tem casca amarelada e levemente crocante, massa consistente e macia. No paladar, notas lácticas bem ressaltadas que lembram requeijão e creme de leite e, com o tempo de maturação, aromas mais amendoados e acastanhados que ressaltam a nobreza da iguaria. “Harmoniza bem com vinhos e outros destilados. Também é utilizado na culinária para molhos e pratos finos”, complementa o produtor.

Resistência e reconhecimento

Para Nonato, produzir queijo artesanal no interior de Minas é, ao mesmo tempo, privilégio e desafio. “Temos elevados custos de manutenção e produção, escassez de mão de obra, oscilação nos preços de venda, além da logística. Porém, mantenho viva a minha memória”, frisa.

O reconhecimento do modo de fazer o Queijo Minas Artesanal como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, pela Unesco, elevou o patamar do produto e abriu novas possibilidades para os produtores da região. “Já podemos sentir os efeitos dessa valorização. Eventos como o Festival do Queijo Artesanal de Minas ampliam a visibilidade do queijo, valorizam o trabalho de quem produz e ajudam a transformar uma realidade que é a saída das famílias do campo para a cidade. Quando o queijo é valorizado, o produtor também é, e isso mantém viva a tradição”, afirma.

Pelo terceiro ano no evento, ele aproveita a oportunidade para vendas, conexões com outros produtores e, sobretudo, visibilidade. \”O festival é uma vitrine para nós, produtores. Isso faz toda a diferença”, explica.

Soma de esforços

O Sebrae Minas promove o Projeto de Desenvolvimento Territorial da Região do Serro: ‘Uma Só Região’, que agrega 11 municípios da microrregião produtora, e contempla iniciativas de apoio ao produtor, como: capacitações, feiras, criação do selo de Indicação Geográfica, governança e construção de experiências turísticas por meio da Rota do Queijo.

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Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Jequitinhonha e Mucuri

Samuel Martins – [email protected]

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