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Produtores de queijos artesanais da região do Serro tentam superar a queda das vendas e do faturamento provocados pela pandemia. Com o apoio do Sebrae Minas, 700 pequenos produtores do Queijo do Serro têm conseguido fôlego para continuar no mercado.
Um deles é Lindomar Santana dos Santos, 51 anos, que aos sete anos já ajudava o pai a produzir queijo. A lida na roça é uma das grandes paixões do técnico agrícola, que jamais imaginou que um dia teria todo o seu estoque imobilizado em razão de uma crise mundial provocada por um vírus. “No início foi desesperador. Reduzi a jornada de trabalho dos funcionários e passei a produzir menos. Depois de 60 dias, as coisas começaram a melhorar e as pessoas voltaram a ligar e a fazer seus pedidos pela internet. Consegui vender tudo o que havia fabricado até então”, conta o produtor rural.
A aposta no marketing digital tem sido a grande aliada de Lindomar para aquecer as vendas on-line. “As orientações do Sebrae Minas e parceiros tem sido fundamental para nos nortear nesse universo digital. Apesar do aumento do custo das matérias-primas, não tenho o que reclamar das vendas, pois o consumo tem aumentado significativamente”, garante o produtor.
Lindomar produz queijo fresco e maturado. O produto fresco é vendido para uma cooperativa do Serro e o maturado segue para Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. “Nosso maior desafio é produzir um queijo de qualidade todos os dias, sem contar a burocracia que ainda envolve a comercialização para outros estados, embora isso garanta a legalidade do produto, o que acaba aumentando a freguesia”, diz.
Atualmente, Lindomar conta com três colaboradores e, juntos, produzem cerca de 100 unidades/dia. A expectativa para o próximo ano é ampliar o negócio. “O consumidor já aprovou nosso produto. Esperamos que a situação melhore ainda mais, sobretudo no que diz respeito ao queijo maturado, que responde15% da nossa produção atual”, afirma.
Insumos nas alturas
Para o pequeno produtor Alyrio Ferreira Campos Júnior, a pandemia não prejudicou os negócios. “Não senti tanta diferença, pois produzo pouco e vendo diretamente para donos de lojas e empórios. Se estivesse produzindo mais, estaria vendendo ainda mais”, observa.
No caso dele, o maior problema tem sido a alta de preços dos insumos, como: milho e soja. “Tenho feito malabarismo para seguir produzindo. A sorte é que outubro foi bastante chuvoso e a pastagem melhorou. Temos nos esforçado para baixar o custo de produção”, explica.
Nos últimos meses, Alyrio passou a ter acesso à consultoria em marketing digital oferecida pelo Sebrae Minas para aprender a usar as mídias sociais e reposicionar sua marca. “Essas orientações têm me ajudado a usar a internet e chegar ao consumidor final com mais facilidade. O problema é que, muitas vezes, o frete sai mais caro do que o produto. Estamos buscando alternativas para reduzir o custo da logística”.
Recentemente, Alyrio embarcou em uma nova empreitada: um alambique, onde produz cachaça e rapadura. “É uma fonte de renda extra, uma alternativa para melhorar a receita. Estou me especializando mais, fazendo cursos e melhorando a estrutura da minha propriedade. O apoio do Sebrae Minas tem sido um divisor de águas para meu negócio, principalmente, no que diz respeito a comercialização”, conclui.
Segundo o analista da Unidade de Agronegócio do Sebrae Minas Ricardo Boscaro, a pandemia trouxe uma dificuldade inicial, uma vez que o fechamento do comércio e o isolamento social reduziu a comercialização de queijos artesanais. Mas, com o passar dos meses, tanto o comércio quanto os produtores foram se adaptando à nova realidade.
“As lojas passaram a operar com delivery e os produtores descobriram as vendas on-line, diretamente com o consumidor. Mas, é importante cuidar para que não haja rompimento dos elos da cadeia. A venda direta ao consumidor final é importante alternativa para o produtor, entretanto, necessita cuidado para não haver tanta distorção nos preços. O lojista continua e continuará sendo importante conexão entre o produtor e o consumidor”, explica Boscaro.
Patrimônio nacional
O modo artesanal de fabricação do queijo à base de leite cru nas regiões da Serra da Canastra, Serro e Serra do Salitre é considerado, desde 2008, patrimônio imaterial brasileiro. O reconhecimento foi concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a partir de uma demanda levantada pelos próprios produtores, em 2001.
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