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Iguaria com sabor de tradição

‘Carne na lata’ torna o restaurante Cantinho de Minas cada vez mais conhecido em várias partes do Brasil
Por Aline de Freitas
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O desejo de começar uma vida nova moveu Luiz Fabiano da Silva, 41 anos, mais conhecido como Barão, a investir no próprio negócio. O então frentista planejava se casar e precisava melhorar a renda.  Em 2005, ele e a noiva decidiram montar um restaurante no terreno do futuro sogro. “Vendi meu carro e construí um cômodo onde cabia um fogão a lenha, um balcão e três mesas”, lembra. Nascia ali o Cantinho de Minas, referência da culinária mineira na zona rural de São João Batista do Glória, no Sudoeste mineiro.

No novo restaurante, o empresário e a esposa, Márcia de Freitas Marques, começaram a servir a carne de porco conservada em banha que a sogra de Luiz Fabiano fazia. “O produto era tão bom que os clientes queriam levar para casa”, conta. Foi quando Márcia, que também é Empreteca, teve a ideia de enlatar e comercializar a carne.

A procura foi aumentando e, junto com ela, a necessidade de criar uma embalagem adequada para acondicionar a iguaria. A solução veio com as consultorias de design do Sebraetec, para a criação de uma embalagem e rótulo para o produto.

A inovação garantiu mais higiene e conservação ao produto para o transporte, além de uma marca atrativa. “Tem pessoas que chegam aqui e se emocionam. Dão de cara com as latas e lembram quando moravam em cidades pequenas e como era a cozinha dos avós”, diz o empreendedor.

Lombo, pernil, panceta e costelinha são algumas opções oferecidas pelo casal.  Tudo é feito à moda antiga, como no tempo em que não havia geladeira e a carne era conservada na banha do porco.

Com a nova embalagem, o Sebrae incentivou o casal a investir nas redes sociais para se relacionar com os clientes. O resultado: as vendas aumentaram e a carne na lata passou a ser o carro-chefe do restaurante, que também vende comida à la carte: frango caipira, traíra sem espinho e porções de peixe.

Antes da nova embalagem e marca, eram vendidos de 240kg a 390kg de carne de porco por mês (2 a 3 porcos de 120kg a 130kg). Depois do Sebraetec, esse número passou para 1,8 tonelada a 2,6 toneladas por mês (15 a 20 porcos).

A carne de porco na lata virou atrativo para o restaurante, que remodelou seu cardápio depois das consultorias do Sebrae.  Muitos turistas vão para comprar o produto e resolvem ficar para o almoço.  A iguaria também é distribuída em lojas de conveniência e queijarias em vários municípios da Serra da Canastra.

O crescimento da empresa exigiu maior profissionalização da gestão, principalmente na área financeira. Mais uma vez, Luiz e Márcia buscaram ajuda e participaram do Sebrae na sua Empresa. Com as orientações recebidas no projeto, eles implementaram ferramentas de controle e conseguiram melhorar os resultados do negócio.

Retomada

Logo depois do retorno das atividades presenciais, em agosto, Luiz trabalhou com equipe reduzida: apenas ele, a mulher e duas cozinheiras fixas. Mas agora já voltou a contratar até 14 colaboradores freelancers para ajudar no restaurante, principalmente nos finais de semana.

Segundo Luiz, no período em que o restaurante esteve fechado, a carne na lata foi o que “salvou” a empresa. No início do ano, ele vendia entre 80 e 100 latas de carne por mês. “O volume dobrou entre abril e julho”, diz o empresário, que recebe pedidos de várias cidades do Brasil.

Por conta do aumento das vendas da carne na lata, o faturamento do negócio aumentou 30% no primeiro semestre deste ano. Há dois meses, o casal participa das consultorias oferecidas pelo Sebrae no plano de retomada das atividades na região. Já fizeram consultorias de finanças e remodelagem de negócio e se preparam para as de marketing digital e vendas.

Durante o período de isolamento social, Luiz investiu na ampliação do restaurante, incluindo área de alimentação ao ar livre, com capacidade para 70 pessoas, além de três banheiros. “Agora estamos aumentando a cozinha e fazendo um playground coberto”, adianta o empresário.