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Não é raro que um negócio comece dentro de casa, entre pai e filho. Segundo a pesquisa “Negócios Familiares”, do Sebrae Minas, quatro em cada dez pequenos negócios do estado são familiares, e a Casa Elétrica, em Ipatinga, no Vale do Aço, é um exemplo. O ofício aprendido por Agemir Soares Nascente ainda na infância, ao lado do próprio pai, mais tarde, foi repassado ao filho Brendon. E, assim, o que começou como um trabalho informal se transformou em um negócio de família.

Por muito tempo, Agemir dividiu o emprego em uma indústria da região com serviços como eletricista autônomo nas horas vagas. Conforme as indicações aumentavam, os atendimentos passaram a exigir mais tempo e dedicação, até que, em 2012, ele decidiu deixar a estabilidade da carteira assinada para empreender por conta própria.

“Aprendi elétrica ajudando meu pai, desde criança, depois estudei e me profissionalizei. Quando a demanda começou a crescer, senti que precisava sair da empresa e me dedicar totalmente à prestação de serviços”, recorda.

No início, Agemir atuava sozinho, realizando desde pequenos reparos até obras de maior porte em residências e empresas. Entre os projetos realizados, ele destaca o da rede de academias AllpFit, fundada pelo empresário Anderson Franco, que se tornou fundamental para impulsionar o negócio. Seguindo seus passos, o filho, Brendon, ainda garoto, começou a acompanhá-lo como ajudante.

Desafios e mudança de rumo

Entre 2014 e 2016, a retração da economia e a crise no setor da construção civil derrubaram o volume de serviços e as dificuldades levaram Agemir a cogitar encerrar as atividades e recomeçar a vida nos Estados Unidos. O plano mudou de rumo depois de um encontro casual com uma analista do Sebrae, então cliente de Agemir, que o convenceu a procurar a instituição antes de tomar uma decisão definitiva. “Depois daquela conversa, busquei o apoio do Sebrae e voltei a acreditar na empresa”, conta o empresário.

Durante cerca de três anos, Agemir recebeu orientação em gestão, finanças, marketing e relacionamento com clientes. “O Sebrae nos mostrou a importância de controlar o fluxo de caixa. Passamos a investir em divulgação, incluindo adesivagem de veículo, anúncios locais e reforço das redes sociais, além de acompanhar a satisfação dos clientes ao longo da jornada de atendimento. Isso mudou a nossa forma de trabalhar”, afirma.

E foi no período mais difícil, quando ainda não havia caixa para contratar funcionários, que o apoio da família sustentou a operação.

“Sem a força dos meus filhos e da minha esposa, eu não teria chegado onde cheguei. Se precisasse pagar funcionários naquela época, provavelmente não conseguiria continuar”, reconhece Agemir.

Brendon, que começou como ajudante nos serviços de campo, se interessou por eletrônica e automação e passou a buscar capacitação, ampliando o portfólio da empresa para além das instalações elétricas tradicionais. “Nós crescemos juntos. Comecei como ajudante e, conforme fui adquirindo conhecimento, passei a assumir outras áreas”, explica Brendon. Segundo ele, o segredo para conciliar a convivência em casa com a rotina de trabalho está em respeitar o espaço e a autonomia de cada um.

Agemir, ao lado da esposa e da filha caçula. Crédito: Fernanda Pereira
Agemir, ao lado da esposa e da filha caçula. Crédito: Fernanda Pereira

Hoje a Casa Elétrica atua também com energia solar, segurança eletrônica, automação residencial e portões eletrônicos, atendendo projetos completos em casas, prédios, condomínios e estabelecimentos comerciais. A esposa de Agemir, Bia, cuida da rotina da loja e das vendas, enquanto pai e filho, com o apoio de uma equipe fixa, respondem pelos serviços externos. Além de Brendon, Agemir tem duas filhas: Karen, que também já trabalhou no negócio antes de se mudar para estudar no exterior, e Bianca, a caçula.

Trajetória de expansão

Em 2020, a família inaugurou a loja física Casa Elétrica com o objetivo de oferecer mais credibilidade aos clientes interessados em projetos de energia solar, um segmento que exige investimentos mais elevados e maior confiança. O início, no entanto, foi marcado por recursos limitados. Com pouco mais de R$ 300 em mercadorias, dois balcões, expositores emprestados e internet compartilhada com um vizinho, a empresa deu os primeiros passos na revenda de materiais elétricos.

A pequena escala das operações dificultava o acesso direto aos fabricantes, obrigando a empresa, muitas vezes, a adquirir produtos de outras lojas da região para atender aos próprios clientes. “No começo, a gente vendia um produto e comprava dois. Depois vendia dois e comprava quatro. Foi crescendo aos poucos”, relembra Agemir.

Segundo o empresário, uma das principais lições aprendidas com o Sebrae foi manter o crescimento de forma planejada, comprando apenas o que tinha perspectiva de venda e evitando assumir compromissos financeiros acima da capacidade da empresa. A estratégia foi fundamental para consolidar o negócio. Hoje, a Casa elétrica não possui dívidas com fornecedores e já negocia diretamente com fabricantes. “Hoje, os fornecedores vêm até nós. É uma realidade que jamais imaginávamos quando começamos”, celebra.

Com contratos de manutenção fixos, equipe de apoio e portfólio diversificado, a empresa já planeja ampliar o espaço físico para acompanhar o ritmo de crescimento. Para Agemir, no entanto, a maior conquista vai além da expansão do negócio. “O mais gratificante é saber que construí essa história ao lado dos meus filhos, compartilhando aprendizados, desafios e conquistas”, ressalta.

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Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Rio Doce e Vale do Aço
Fernanda Pereira
(31) 98250-1752
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