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Chapada de Minas premia seus melhores cafés e amplia a projeção do Vale do Jequitinhonha no mercado de especiais

Na primeira edição após o registro de Indicação Geográfica, o 5º Prêmio Chapada de Minas avaliou cerca de 100 amostras e reuniu compradores de três estados e do DF
Por Samuel Martins
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Com a Indicação Geográfica (IG) recém-registrada, a Região da Chapada de Minas escolheu, na última quinta-feira (5/11), em Capelinha, os melhores cafés produzidos em seu território. A 5ª edição do Prêmio Chapada de Minas é a primeira realizada após a certificação que fortalece a origem e insere o Vale do Jequitinhonha entre os grandes centros produtores do mercado de cafés especiais.

As cerca de 100 amostras inscritas passaram por avaliação técnica, com base na metodologia de análise sensorial da Specialty Coffee Association (SCA), entidade internacional que apoia atividades que tornam o café especial um empreendimento próspero, equitativo e sustentável para toda a cadeia de valor. Na escala da SCA, que chega a 100, notas a partir de 80 já classificam o café como especial.

Na categoria Origens, exclusiva para propriedades com menos de 20 hectares, o vencedor foi o produtor Anderson de Andrade Pires, com 87,42 pontos. Completam o pódio Alessandro Moreira Santiago, com 86,83 pontos, e Isaque Ferreira de Souza, com 86,58.

A categoria Tradições, com propriedades que têm mais de 20 hectares, foi dividida em duas modalidades. Em ‘Natural’, Claudio Fujio Nakamura conquistou o primeiro lugar, com 86,93 pontos, seguido da Fazenda Agrofelício, com 86,54, e de Sérgio Meirelles Filho, com 85,82. Na modalidade ‘Cereja Descascado’, a Fazenda Primavera foi a campeã, com 88,18 pontos, à frente de Luís Manuel Martins da Silva, com 87,04, e de Sérgio Meirelles Filho, que somou 87 pontos.

O produtor Cláudio Nakamura reforça que “o Prêmio exige ainda mais responsabilidade, pois assumimos o compromisso de continuar produzindo com qualidade. Neste ano, a conquista do selo de Indicação Geográfica projeta nossa fazenda para mercados maiores”, destaca.

Reconhecimento e desenvolvimento regional

O fato de a premiação fomentar o conhecimento técnico é destacado pelo gerente do Sebrae Minas na regional Jequitinhonha e Mucuri, Rogério Fernandes. “A cada edição, os produtores são estimulados a investir na lavoura, buscar novas tecnologias, aprimorar técnicas de cultivo e pós-colheita e, consequentemente, elevar a qualidade dos grãos. Esse movimento fortalece toda a cadeia produtiva e contribui para consolidar a Chapada de Minas como uma região de referência na produção de cafés de qualidade”, frisa.

O presidente do Instituto do Café da Chapada de Minas (ICCM), Francy Alves Santos, avalia que “a conquista da Indicação Geográfica ajuda a posicionar o Vale do Jequitinhonha entre os grandes centros produtores de cafés de excelência. Isso traz mais reconhecimento para a nossa região e, consequentemente, mais desenvolvimento para quem vive e trabalha aqui”, afirma.

O Prêmio Chapada de Minas é realizado pelo Sebrae Minas e ICCM. A avaliação técnica considerou dez critérios na escolha dos vencedores: fragrância/aroma; sabor; retrogosto; acidez; corpo; uniformidade; ausência de defeitos; doçura mínima; balanço e conceito final.

A cerimônia contou também com compradores do Distrito Federal, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo, que visitaram duas propriedades locais, em uma troca de experiências e conexões voltada à ampliação de seus mercados. Durante o evento, os empresários participaram do leilão das amostras vencedoras. Após várias rodadas de negociação, o valor arrematado em sacas chegou a quase R$ 50 mil.

Chapada de Minas: terroir de identidade única

Localizada entre os rios Doce, Mucuri e Jequitinhonha, a Chapada de Minas reúne 22 municípios e colhe, em média, 900 mil sacas de café por ano. Solo rico em minerais, boas altitudes, clima úmido e temperaturas agradáveis tornam o território propício à cafeicultura de alta qualidade. Em lavouras a mais de mil metros de altitude, trabalham cerca de 5,8 mil cafeicultores que, em sua maioria, deixaram o Paraná após a “geada negra” de 1975, que castigou boa parte dos cafezais do estado.

Décadas depois, eles se destacam no mercado com grãos de sabor doce e achocolatado, com notas de caramelo e frutas vermelhas. O aroma intenso e amanteigado, o corpo aveludado e a acidez equilibrada vêm conquistando torrefadores e consumidores exigentes, dentro e fora do Brasil.

Em fevereiro de 2026, a região obteve o registro de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência (IP), concedida quando um território se torna conhecido como centro de produção ou de extração de determinado produto. O pedido foi protocolado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em setembro de 2025, pelo ICCM e pelo Sebrae Minas. Com o registro, a Chapada de Minas passou a integrar o grupo de 22 IGs brasileiras do café, e o país chegou a 156 registros, sendo 124 Indicações de Procedência e 32 Denominações de Origem.

Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Jequitinhonha e Mucuri

Samuel Martins
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