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“A miniatura guarda a memória”, diz artesã que reproduz a arquitetura do Vale do Jequitinhonha

Alice Costa é uma das artesãs que vai representar a região na Maison&Objet, em Paris, considerada a principal feira internacional de decoração, design, arte, lifestyle e negócios
Por Samuel Martins (Stark)
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Ao reproduzir em miniatura casinhas, casarões e igrejas da comunidade de Cachoeira do Fanado, em Minas Novas, a artesã Alice Costa transforma barro e memória em fonte de renda. O trabalho, que começou ainda na infância, hoje sustenta sua família e ajuda a preservar a arquitetura e a identidade do lugar onde vive no Vale do Jequitinhonha.

Com 8 anos de idade, Alice deu os primeiros passos no artesanato, criando peças miniaturas inspiradas na arquitetura do Vale, uma forma de eternizar o território. “Desde pequena, encontrei no artesanato uma forma de preservar a história, a identidade e as tradições do lugar onde vivo”, conta.

O ofício ganhou um novo significado depois que ela se casou, aos 17 anos. Diante da necessidade de contribuir para o sustento da família, Alice decidiu transformar o que sempre gostou de fazer em sua principal fonte de renda: a produção de miniaturas de casinhas, casarões e réplicas de igrejas, além de peças utilitárias.

“O artesanato transformou completamente a minha vida. Ele se tornou um caminho de esperança, independência e realização. Tenho muito orgulho de dizer que consegui conquistar a minha casa própria graças ao trabalho das minhas mãos. Cada peça produzida representa dedicação, perseverança e o sonho de oferecer um futuro melhor para minha família”, afirma.

Cada trabalho é feito à mão e os torrões de barro são retirados na própria comunidade, o qual apresentam como característica única o tom predominante rosa.

Com o mesmo compromisso que dedica ao próprio ofício, Alice também passou a liderar a associação de artesãs de Cachoeira do Fanado. À frente da presidência, ela desenvolve a governança para fortalecer o artesanato local, valorizar o trabalho das colegas e preservar a cultura da comunidade para as futuras gerações.

Do Vale para a França
Em 2026, a história de Alice ganha um novo capítulo. Ela integra o grupo de artesãos do Vale do Jequitinhonha selecionados para participar da Paris Design Week, período em que a cidade francesa concentra exposições, lançamentos, eventos culturais e encontros entre profissionais do setor.

Umas ações é a exposição na Maison&Objet, considerada a principal feira internacional de decoração, design, arte, lifestyle e negócios, que será realizada entre os dias 10 e 14 de setembro. As peças do Vale do Jequitinhonha também estarão expostas em uma galeria de arte, entre os dias 8 e 18 de setembro, ampliando a visibilidade da produção mineira durante a Paris Design Week. A mostra será realizada em uma região reconhecida pela intensa vida cultural e artística, aproximando o artesanato do Vale do Jequitinhonha de galeristas, curadores e instituições que valorizam a relação entre arte, patrimônio, criação e inovação.

“Cada peça carrega um pedaço da nossa história, da nossa identidade e do carinho com que é feita. Representar o Brasil, a nossa cultura e o trabalho das artesãs em Paris é uma honra imensa. Vou com o coração cheio de alegria, orgulho e responsabilidade, levando comigo a certeza de que os sonhos podem se tornar realidade quando são construídos com dedicação, amor e perseverança. Essa conquista não é apenas minha, mas de toda a nossa comunidade”, ressalta.

Conheça mais sobre o negócio de Alice Costa: @miniaturadecasinhas

Apoio para estruturar e crescer
O apoio de parceiros, principalmente do Sebrae, contribuiu para que o artesanato do Vale do Jequitinhonha ganhasse mais valor, notoriedade e divulgação. A estruturação, de forma mais organizada, levou a criação da primeira marca território voltada para o artesanato em Minas Gerais, a Vale do Jequitinhonha, desenvolvida pelo Conselho das Artesãs do Vale do Jequitinhonha em parceria com o Sebrae Minas.

Essa iniciativa contribui para divulgar a origem do produto, dar notoriedade à região e estimular a atividade como fonte de renda, aumentando sua valorização no mercado. Nesse posicionamento, cada peça deixa de ser percebida apenas como um objeto utilitário para ser reconhecida como um produto autoral, portador de identidade, memória e valor simbólico. A estratégia parte da base de que, cada vez mais, quem compra uma peça de cerâmica leva em conta não apenas a qualidade e a beleza, mas também a história e a tradição que ela carrega.

Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Jequitinhonha e Mucuri
Samuel Martins (Stark)
[email protected]

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