O plano de Janaine Maia quando se formou em Biomedicina era ter um laboratório de análises ambientais, mas, para isso, era preciso recurso financeiro. A moda deveria ser apenas o caminho para conseguir o capital necessário para realizar esse sonho. Dezessete anos depois, o laboratório nunca saiu do papel e, em seu lugar, nasceu uma marca de moda feminina que produz cerca de cinco mil peças por mês, que são vendidas para nove estados brasileiros.
A história da ‘Doce Veneno’ começou em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, quando Janaine e o então noivo, que se tornou seu primeiro sócio, venderam o que tinham à disposição para iniciar o negócio: um celular e uma moto. O dinheiro foi usado na compra dos primeiros rolos de tecido e aviamentos. Sem uma estrutura industrial, os primeiros vestidos, calças e blusas eram produzidos quase que artesanalmente. Era a biomédica quem cortava, na tesoura, cada peça. A resposta do mercado, porém, mudou os planos, pois tudo o que conseguia produzir era vendido, e o negócio começou a crescer.
“Percebi que meu verdadeiro laboratório era a moda. Olhar para trás e ver que aquela produção artesanal, feita à mão, se transformou em uma marca respeitada e com abrangência nacional, é a realização de um sonho que superou qualquer expectativa inicial”, conta.
O crescimento exigiu que a empreendedora aprendesse não apenas sobre criação e produção, mas também sobre gestão. Uma das principais transformações foi a mudança do processo artesanal para uma confecção estruturada, aumentando a capacidade produtiva sem abrir mão da qualidade. Outro momento importante ocorreu quando Janaine assumiu o comando da empresa, após comprar a participação do antigo sócio.
A mudança societária, no entanto, não encerrou a relação profissional entre os dois. O ex-sócio seguiu para outros projetos no setor têxtil e, atualmente, possui uma malharia, além de representar comercialmente a ‘Doce Veneno’ nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
Da tesoura aos moldes digitais

A profissionalização da empresa também foi acompanhada pelo Sebrae Minas. A empreendedora participou, ao longo dos anos, de capacitações, feiras e missões técnicas que contribuíram para diferentes etapas do crescimento do negócio. Uma das primeiras experiências ocorreu há cerca de 14 anos, com uma consultoria em gestão financeira. “Foi uma orientação que nos deu uma base para crescer com o pé no chão. Depois, as feiras foram importantes para ampliar nosso mercado e acessar novos clientes. O Sebrae esteve presente em diferentes momentos: organização financeira, modernização da fábrica e posicionamento da marca”, afirma.
Um dos principais saltos tecnológicos ocorreu após a participação em uma missão técnica para a Febratex – Feira Brasileira para a Indústria Têxtil e de Confecção – considerada a maior e mais importante do setor têxtil das Américas. A experiência contribuiu para a decisão de investir em uma impressora integrada a um que proporciona o desenvolvimento e impressão de moldes. O equipamento ajudou a substituir etapas manuais por processos digitais, reduzindo o tempo de produção e melhorando o aproveitamento da matéria-prima.
Em agosto deste ano, uma consultoria de marketing apoiou a empresa a refinar seu posicionamento e a comunicar o conceito que passou a nortear a marca: a moda atemporal. Hoje, a ‘Doce Veneno’ tem 27 colaboradores diretos e uma cadeia formada por cerca de 150 profissionais indiretos, que atuam em oficinas de costura, estamparias, serviços de bordado e lavanderias. A produção abastece lojistas e consumidores em estados como Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
Moda para durar

Em um mercado marcado pela velocidade das tendências, Janaine decidiu seguir na direção contrária. A proposta da ‘Doce Veneno’ é desenvolver peças que possam permanecer no guarda-roupa por vários anos, com atenção especial à escolha dos tecidos, modelagem, conforto e acabamento. Casacos, jaquetas, blusas, calças e t-shirts estão entre os produtos desenvolvidos pela empresa. Nas peças estruturadas, o processo exige profissionais especializados e domínio técnico, o que também evidencia um dos principais desafios enfrentados pela indústria de confecção de Divinópolis: encontrar mão de obra qualificada.
“Estar em Divinópolis é estratégico porque fazemos parte de um dos principais polos confeccionistas do país. Ao mesmo tempo, há uma concorrência muito grande por profissionais qualificados. Como temos um nível elevado de exigência no acabamento, investimos constantemente no treinamento e no aperfeiçoamento da nossa equipe”, explica. A qualificação interna se tornou uma das estratégias para sustentar o crescimento da empresa sem comprometer o padrão das peças. Paralelamente, a marca precisa responder às transformações no comportamento do consumidor, especialmente no ambiente digital.
Ela conta que um dos maiores desafios atuais é mostrar que uma peça pode ter valor justamente por não acompanhar a lógica do consumo rápido. “Queremos que a nossa cliente sinta segurança, elegância e conforto, mas também perceba que está adquirindo algo que poderá acompanhá-la por muitos anos. A proposta é ajudar a construir um guarda-roupa mais inteligente, com peças atemporais”, destaca. Entre os planos atuais, está a ampliação do alcance da marca mantendo essa identidade que revela a força da moda mineira e divinopolitana para o Brasil.
Conheça mais sobre o empreendimento de Janaine Maia em: @usedoceveneno
Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Centro-Oeste e Sudoeste
Thiago Carvalho (Stark)
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