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Artesã do Vale do Jequitinhonha vive expectativa de levar seu trabalho para Paris

Adriana Xavier é uma das artesãs selecionadas para levar suas peças para a principal feira internacional de decoração, design, arte, lifestyle e negócios
Por Samuel Martins (Stark)
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Adriana Xavier começou a modelar peças de barro aos 10 anos de idade, na Comunidade de Campo Alegre, em Turmalina, no Vale do Jequitinhonha. Assim como muitas, teve a vida moldada pelo saber ancestral: foi ensinada pela mãe, que aprendeu com a avó, que aprendeu com a bisavó. Todas as gerações moldaram utilitários, como moringas e panelas de barro, para uso do dia a dia e comercialização.

O início não foi nada fácil. Além da lavoura, que era a principal fonte de renda na época, sua mãe caminhava mais de 15 quilômetros para vender ou trocar as peças por alimento. Mas, mesmo com os desafios e dificuldades, o artesanato era parte importante da família. Essa persistência delas e de todas as comunidades da região fez com que a cerâmica do Vale do Jequitinhonha fosse reconhecida como Patrimônio Imaterial do estado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG).

Em 2024, Adriana se casou e mudou para a comunidade de Campo Buriti, também em Turmalina. A mudança não interrompeu a tradição. Ela montou um ateliê no quintal de casa e continuou produzindo suas peças, além de repassar o ofício à própria filha, dando continuidade a um saber que atravessa cinco gerações de mulheres.

“Comecei com as pecinhas pequenininhas, depois fui modelando algumas outras maiores, como as bonecas. O artesanato mudou a minha vida de uma forma muito positiva, porque além da gente ter a própria renda e ter independência financeira, a gente pôde conquistar coisas que jamais imaginaria um dia poder adquirir, como casa e carro. Sem contar que, quando fiquei viúva, em 2023, o artesanato foi fundamental para segurar as pontas”, relembra a artesã, hoje reconhecida por suas bonecas de cerâmica.

Adriana também é uma liderança reconhecida em Campo Buriti. Ela representa a Associação dos Artesãos de Coqueiro Campo, que reúne 52 mulheres, no Conselho das Artesãs do Vale do Jequitinhonha (CAVJ), um papel que se soma à própria trajetória de independência construída a partir do barro.

Do Vale para a França
Em 2026, a história de Alice ganha um novo capítulo. Ela integra o grupo de artesãos do Vale do Jequitinhonha selecionados para participar da Paris Design Week, período em que a cidade francesa concentra exposições, lançamentos, eventos culturais e encontros entre profissionais do setor.

Umas ações é a exposição na Maison&Objet, considerada a principal feira internacional de decoração, design, arte, lifestyle e negócios, que será realizada entre os dias 10 e 14 de setembro. As peças do Vale do Jequitinhonha também estarão expostas em uma galeria de arte, entre os dias 8 e 18 de setembro, ampliando a visibilidade da produção mineira durante a Paris Design Week. A mostra será realizada em uma região reconhecida pela intensa vida cultural e artística, aproximando o artesanato do Vale do Jequitinhonha de galeristas, curadores e instituições que valorizam a relação entre arte, patrimônio, criação e inovação.

Para a Maison&Objet, ela enviará bonecas de cerâmica, grandes e pequenas, peça pela qual é mais conhecida em seu trabalho. “Fico muito feliz de representar as mulheres da minha associação e do Vale do Jequitinhonha na França. A gente fica muito orgulhosa de saber que o trabalho da gente está sendo reconhecido internacionalmente. Vou levar para Paris não somente as minhas peças, mas a história das 52 mulheres da Associação dos Artesãos de Campo Buriti e de tantas outras artesãs da região”, comemora emocionada.

Conheça mais sobre o negócio de Adriana Xavier: @adriana_artesa_

Apoio para estruturar e crescer
O apoio de parceiros, principalmente do Sebrae, contribuiu para que o artesanato do Vale do Jequitinhonha ganhasse mais valor, notoriedade e divulgação. A estruturação, de forma mais organizada, levou a criação da primeira marca território voltada para o artesanato em Minas Gerais, a Vale do Jequitinhonha, desenvolvida pelo Conselho das Artesãs do Vale do Jequitinhonha em parceria com o Sebrae Minas.

Essa iniciativa contribui para divulgar a origem do produto, dar notoriedade à região e estimular a atividade como fonte de renda, aumentando sua valorização no mercado. Nesse posicionamento, cada peça deixa de ser percebida apenas como um objeto utilitário para ser reconhecida como um produto autoral, portador de identidade, memória e valor simbólico. A estratégia parte da base de que, cada vez mais, quem compra uma peça de cerâmica leva em conta não apenas a qualidade e a beleza, mas também a história e a tradição que ela carrega.

Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Jequitinhonha e Mucuri
Samuel Martins (Stark)
[email protected]

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