Os pequenos negócios estão sendo diretamente afetados pelo isolamento social. Lojas físicas fechadas, horário de funcionamento reduzido e falta de clientes são algumas das dificuldades encontradas por empreendedores de Belo Horizonte. Diante desse cenário, profissionais das áreas da saúde e da educação estão se reinventando para superar a crise e manter seus negócios em funcionamento.
A CoDIY (Code It Yourself – codifique você mesmo), escola de tecnologia robótica, possui quatro pilares de atuação: aulas presenciais, projetos na escola, projetos em casa e material didático para professores e alunos. Durante o período de isolamento social, dois desses pilares foram afetados.
Diante disso, os empreendedores Matheus Guimarães, Willian Gomes e Matheus Máximo resolveram apostar na reestruturação. A presença física deu lugar à presença online, que foi possível graças a ferramentas como o Teams Educacional, plataforma da Microsoft para aulas à distância.
Matheus Guimarães, diretor Administrativo e de Negócios da CoDIY, afirma que, apesar das dificuldades, estão no caminho certo. “Semanalmente recebemos retornos de pais e alunos sobre estarmos fazendo a diferença neste tempo tão desafiador para as famílias”, conta.
Matheus também dá dicas para outras empresas superarem a crise. “Acreditem na essência da companhia, onde tudo começou. Para inovar, não precisa ‘reinventar a roda’, é necessário acreditar na sua capacidade e utilizar ferramentas tecnológicas. Além disso, seja positivo. O empresário otimista não se impõe limites. E a inovação será a forma de superar cada barreira em seu caminho.”
Hipnose virtual
A hipnose tem ganhado bastante popularidade atualmente. A técnica pode ser usada em várias áreas da saúde: do controle da dor a terapias holísticas. Mas, como manter os atendimentos em meio à pandemia do coronavírus?
Esse é o desafio enfrentado por um dos sócios do grupo O Hipnotista, Thiago de Paula. Os integrantes atendem em Belo Horizonte e fornecem cursos para quem deseja usar a técnica na sua área de atuação ou para quem tem interesse em se tornar um terapeuta.
“Trabalhamos com serviço de hipnose e reprogramação mental. Porém, com a pandemia, tivemos que repensar todos os nossos serviços, já que as pessoas não estão saindo de casa. Adaptamos os atendimentos a distância, estamos gerando conteúdos nas mídias sociais e vamos começar a oferecer cursos online”, diz o hipnotista.
Segundo ele, o serviço a distância era usado apenas para clientes que moravam em outros estados. Agora, criaram uma metodologia adequada para este período. “Estamos gerando conteúdos, lives nas redes sociais e vídeos no YouTube e vamos realizar os cursos online, além de um serviço de relaxamento gratuito no Instagram, para aliviar o estresse”, conta.
A empresa que funciona há seis anos, já teve três turmas suspensas, mas sem perda de alunos. Entretanto, os atendimentos de terapia caíram 50%. “Com a necessidade da reinvenção do negócio, percebi o quanto somos conservadores, mas não é preciso ser tanto. Alguns produtos, com certeza, vão continuar depois que essa crise passar. A terapia a distância, por exemplo, será um dos nossos principais foco”, acrescenta Thiago.
O grupo convida profissionais que trabalham com assuntos relacionados e que falem sobre inteligência emocional, meditação e crise a participarem das lives, para proporcionar aos seguidores conhecimento e reflexão neste momento difícil.
Atendimento psicológico
A psicóloga Ana Amélia trabalha com atendimentos clínicos e de empresas e já realizava consultas online. Porém, durante o período de distanciamento social a demanda por esse tipo de serviço cresceu. Ela, então, investiu em várias opções de plataformas, procurando inovar e se adequar.
“Fica uma montanha russa de sentimentos. É importante perceber como as pessoas e o mercado estão se comportando, para que a gente tenha condições de inovar e se adaptar, mas sem uma cobrança excessiva”, afirma.
A psicóloga ressalta que, no período de distanciamento social, a perda financeira pode ser um obstáculo no momento de se reinventar, já que, muitas vezes, é preciso estar em uma condição favorável para se enxergar com clareza as oportunidades. Por isso, é importante que cada empreendedor avalie suas possibilidades e, assim, consiga encontrar um caminho que se encaixe na realidade de seu negócio.
“É não exigir tanto de si mesmo. Devemos ter respeito próprio pra conseguirmos enxergar as melhores opções e ter alternativas para contornar essa nova realidade”, conclui a psicóloga.
