A pandemia do coronavírus provocou impactos em vários setores da economia, principalmente, nos pequenos negócios. Porém, empreendedoras de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, encontraram na produção de máscaras de tecido uma alternativa para driblar a crise. Com a obrigatoriedade do produto na maioria das cidades mineiras para evitar o contágio da covid-19, muita gente resolveu ressuscitar a velha e boa máquina de costura.
“A ideia surgiu para incentivar as pessoas a se cuidarem, pensando também no próximo e não apenas na questão empresarial”, explica a artesã Lucinha Viana, que há cerca de dois meses começou a produzir as máscaras. Ela já recebeu pedidos de clientes de Belo Horizonte e São Paulo.
A artesã enxergou no cenário de dificuldade uma oportunidade de diversificar ainda mais seu negócio. As mãos, acostumadas a dar forma aos famosos santinhos de biscuit e às peças de patchwork, agora, trabalham a todo o vapor para dar conta da demanda.
“A parte administrativa fica com minhas filhas. Elas que correm atrás da divulgação nas redes sociais e atendem os pedidos que são feitos pela internet. Comecei de forma despretensiosa, com o intuito de conscientizar as pessoas da importância do uso das máscaras, e me surpreendi com o resultado”, garante Lucinha.
É proibido pisar nos sonhos
Na página “Mãos e arte artesanato”, no Instagram, os clientes acompanham as postagens e as novidades diariamente. “Todos os dias nós publicamos, porque são estampas diferentes. Temos uma variedade grande de tecidos para atender todos os gostos. Sem contar que as máscaras vão higienizadas, com todos os cuidados recomendados pelos órgãos de saúde”, enfatiza a filha da artesã, Marina Ribeiro Viana.
Outro diferencial no trabalho da empreendedora são as mensagens motivacionais. “Tem amor aqui” e “É proibido pisar nos sonhos” são frases que acompanham a embalagem do produto. “É uma forma de trazer um certo alento para as pessoas. Uma maneira de dizer que tudo isso vai passar e mostrar que juntos somos mais fortes”, acrescenta Marina.
A fabricação de máscaras também tem sido a salvação para microempreendedora individual Josina Jesus de Souza. Ela montou um lava jato há cinco anos e, com a pandemia do coronavírus, o negócio enfrenta dificuldades e está praticamente desativado. A experiência com costura e os tecidos esquecidos no ateliê montado na sua casa há anos, foi a saída encontrada por Josina para complementar a renda.
“Comecei doando as máscaras para quem passava na porta da minha casa ou lavava o carro no meu empreendimento. Só depois que comprei mais tecido, comecei a fabricar. Para mim, é maravilhoso, pois só de não ficar à toa neste momento de crise é bom, tanto financeiramente quanto emocionalmente”, afirma.
Empreendedorismo
Josina também conta com o suporte das filhas na divulgação dos acessórios na internet. Apesar de ser um produto barato, ela garante que não abre mão da qualidade. As máscaras são todas em tecido 100% algodão, estampadas ou lisas, com elástico delicado para não machucar a orelha do cliente.
“Não posso reclamar porque tem dado muito certo. Tem dias que não dou conta da demanda, porque a procura é grande. Algumas lojas encomendam pra revender, mas a maioria é de gente que bate na minha porta para uso pessoal. Vendo bastante picado mesmo e é um dinheiro que entra toda hora. Apesar de ser pouco, posso contar com ele”.
Uma das maiores satisfações da Josina é saber que também está ajudando outras pessoas a se cuidarem, além de promover o empreendedorismo. “Todos nós sabemos fazer alguma coisa. Tudo aquilo que você inventar de fazer, solta nas redes sociais que as pessoas vão te procurar. O segredo é reinventar mesmo”, aconselha a empreendedora.
A capacidade de se reinventar em momentos difíceis é uma das marcas do empreendedor brasileiro. “Essas mulheres usaram a sensibilidade e a criatividade para idealizar um novo negócio, em um momento super difícil, mas também oportuno. Isso é prova da capacidade empreendedora do povo mineiro, capaz de se adaptar diante das dificuldades”, explica a analista do Sebrae Minas Luciana Teixeira Silva.
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