Dados da quarta edição da pesquisa O Impacto da Pandemia de Coronavírus nos Pequenos Negócios, do Sebrae, mostra que 63% dos empreendedores de Minas Gerais que buscaram empréstimos entre 29 de maio e 2 de junho recorreram aos bancos públicos. A mesma pesquisa mostra que o número de pequenos negócios que solicitou crédito no estado aumentou em relação ao último levantamento feito pela instituição, entre o final de abril e início de maio. Entre um levantamento e outro, o percentual de empresas que afirmou ter pleiteado crédito saltou de 27,8% para 35,5%.
A Agência Sebrae de Notícias conversou com o presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Sergio Gusmão Suchodolski, sobre os reflexos dessa demanda na instituição. O executivo fala como os fundos garantidores (Fampe e, mais recentemente, o FGO – que garante o Pronampe), estão contribuindo para ampliar as operações de crédito do banco para os pequenos negócios do estado.
Já se percebe uma evolução nas operações de crédito para os pequenos negócios desde o início da pandemia?
Sem dúvida. Desde meados de março, o BDMG tem se mobilizado para cumprir seu papel de agente anticíclico na minimização dos impactos socioeconômicos gerados pela pandemia. As taxas foram reduzidas para as micro e pequenas empresas (MPE) de todos os ramos de atuação (programa BDMG Solidário), linhas especiais para o setor do turismo e para o setor da saúde foram lançadas, além de taxas especiais para empresas lideradas por mulheres (programa Empreendedoras de Minas). Também foi aberta a possibilidade para as MPE adimplentes renegociarem suas dívidas. Vamos trabalhar com muito empenho para injetar na economia mineira um novo fluxo de liquidez, contribuindo para a sustentação dos negócios e para a manutenção dos empregos neste momento complexo, gerado pela pandemia.
O que podemos mostrar de positivo neste cenário que é crítico para os pequenos negócios, mas também desafiador para as instituições financeiras?
São muitos os desafios, naturais de um cenário macro bastante instável, mas creio que nós do BDMG estamos nos empenhando fortemente para cumprir nosso mandato de banco de desenvolvimento. Compatibilizar a forte demanda por crédito gerada no contexto socioeconômico da pandemia com uma gestão de risco que assegure a sustentabilidade financeira do banco no longo prazo é o caminho que estamos trilhando. Nossos números sinalizam que isso é possível. O cliente quer liquidez e agilidade. E, nesse ponto, o BDMG tem alguns diferenciais. Não exige a contratação de outros produtos para ter acesso ao crédito, como ocorre em muitos bancos comerciais, nem a necessidade de se ter conta bancária, uma vez que o banco não possui correntistas. Outro diferencial é que as solicitações poderão ser feitas por meio do BDMG Digital, a plataforma de atendimento online do banco disponibilizada no site bdmg.mg.gov.br. O processo garante menos burocracia e mais agilidade na concessão do crédito. Nós acreditamos que combinar a digitalização com o impacto no desenvolvimento da sociedade é a chave para o banco do futuro. E acredito que este cenário deflagrado pela pandemia explicitou o quão é importante incorporar o potencial da transformação digital nos modelos de negócio das instituições, em benefício da sociedade.
De que forma os recursos garantidores oferecidos pelo Fampe e Pronampe favorecem uma melhoria do cenário para as pequenas empresas?
Em toda operação de crédito, as instituições financeiras devem – tanto por força de regramento do Banco Central quanto pela necessidade de manterem sua própria sustentabilidade financeira – avaliar uma série de riscos a que se expõem ao aprová-las. Neste contexto, se tornam importantes os Fundos Garantidores – Fampe e FGO (fundo garantidor do Pronampe) – ofertados aos empresários, pois, ao assumirem conjuntamente com a empresa a responsabilidade sobre o crédito concedido, possibilitam a redução da percepção de risco de crédito e a manutenção das taxas de juros em patamares reduzidos. Como resultados, aumentam os ganhos obtidos pelas empresas e reduz-se a possibilidade de inadimplência, criando um círculo virtuoso. Contudo, não devemos esquecer que são inúmeros riscos sendo avaliados simultaneamente, envolvendo diversas variáveis. Isso torna difícil – senão impossível – relacionar a decisão de aprovação do crédito apenas à questão da garantia.
Qual a perspectiva do banco com o reforço das garantias do Pronampe?
Certamente teremos um crescimento expressivo este ano para as MPE, que, em Minas Gerais respondem por cerca de 60% dos empregos. Em 2019, o BDMG destinou R$ 180 milhões para as MPE. Para 2020, esperamos desembolsar mais do que o dobro deste montante para o segmento. Esta estimativa leva em conta o conjunto de ações que lançamos em meados de março e, agora, com a adesão ao Pronampe
E qual foi o impacto da ampliação dos recursos do Fampe no atendimento aos pequenos negócios?
Com relação às nossas operações com o Fampe, em 2020, o BDMG liberou R$ 60 milhões, até o momento. No ano passado, inteiro, foram R$ 45 milhões.
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