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Fazenda Saudade mantém tradição centenária na produção de queijos no Campos das Vertentes

Tereza Miranda e marido investem na fazenda da família a partir de 2018 e conquista premiações nacionais
Por Roger Dias
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Memórias familiares, tradição centenária e premiações nacionais. A história da Fazenda Saudade, em Ibertioga, no Campos das Vertentes, representa uma das essências do queijo minas artesanal que estará presente no Festival do Queijo Artesanal de Minas, em Belo Horizonte. A produtora Tereza Miranda leva para o evento não apenas sabores diferenciados, mas um legado iniciado há mais de um século por seus avós, João Miranda e Zizinha.

“O Festival do Queijo Artesanal de Minas é o evento que mais gostamos de participar, assim, porque ele realmente reúne produtores de todas as regiões de Minas e é um grande encontro assim para nós, não só da gente com outros produtores, mas especialmente com o público muito interessado no queijo e curte nossos produtos É uma vitrine para todos e não um clima de disputa, de competitividade, até porque tem espaço para todos”, afirma a produtora, que participa do evento desde 2019, quando ainda acontecia na Serraria Souza Pinto.

A trajetória da fazenda começou em 1924, quando o avô de Tereza construiu a propriedade e iniciou a criação de gado leiteiro. Na época, sem estrutura para venda de leite, a família passou a transformar o excedente em queijo, dando origem a uma tradição que atravessou gerações.

Hoje, o modo de fazer segue preservado, mantendo os métodos tradicionais do Queijo Minas Artesanal da região do Campo das Vertentes, produzido apenas com leite cru, coalho, pingo e sal. Para Tereza Miranda, preservar esse legado é também valorizar a cultura mineira. “O Queijo Minas Artesanal é mais que um produto, é a nossa cultura e a nossa história”, destaca a produtora. “Nosso queijo tem uma casquinha amarelinha. Em determinadas épocas do ano, ele dá um mofozinho, que às vezes deixamos para dar um sabor diferente e mais interessante”, conta.

Apesar das raízes históricas, a profissionalização da produção ganhou força em 2018, quando Tereza e o marido decidiram investir no queijo artesanal de forma mais estruturada. O início foi marcado por experimentações e pela conciliação da produção com outras profissões, até que as primeiras premiações começaram a transformar o negócio.

Premiações no Brasil

Em 2019, a Fazenda Saudade conquistou medalha de bronze no Mundial do Queijo do Brasil, em Araxá, e medalha de ouro no Prêmio Queijo Brasil, em Blumenau. Nos anos seguintes, vieram novos reconhecimentos, incluindo medalhas de ouro em 2024 e 2025 com o queijo “Lasquinha”, uma versão menor do tradicional queijo minas artesanal produzido pela fazenda.

A produção atual é totalmente realizada dentro da propriedade, desde a ordenha das vacas até a maturação e venda dos queijos. Eles produzem 20 peças diariamente, comercializadas em Belo Horizonte, Tiradentes, São João del-Rei e cidades da região, além de mercados em expansão como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

“O nosso principal diferencial é o cuidado com a qualidade, desde a alimentação das vacas até o processo de produção do queijo. A gente preza muito por manter a tradição do queijo minas artesanal, mas sempre buscando inovar e melhorar a qualidade do nosso produto. E o reconhecimento através das premiações mostra que a gente está no caminho certo”, afirma Tereza.

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