A viagem de trem desacelera o tempo à medida em que corta as paisagens da região Entre Serras da Piedade ao Caraça. Os campos verdes recortados por morros e o gado leiteiro no pasto antecipam o que o visitante espera encontrar: uma experiência rica em tradições rurais. No sítio Toa Toa, uma das propriedades da família Araújo Caldeira, localizado em Rio Piracicaba, o turista degusta o queijo minas artesanal de produção própria, o Trilhos do Ferro. Ao lado, quitandas, doces e geleias artesanais, também produzidas pela família, completam a mesa.
Esse é o cenário que Pedro Henrique ajudou a construir junto com a família. E por trás dele, há seis gerações e cerca de 300 anos de história da família na criação do gado leiteiro e produção de queijo. No mesmo local, funcionam um mercado, um chalé para aluguel, uma pousada e a queijaria onde é produzido o Trilhos do Ferro. O nome da marca não poderia ser mais preciso: os trilhos de ferro que cortam a região e levam os visitantes até a porta da fazenda.
A casca firme e o interior cremoso são as características essenciais da iguaria, obtidas do processo de produção artesanal que requer o leite ordenhado horas antes, coalho adicionado na medida, massa cortada, mexida e moldada com a pressão certa, no tempo que a tradição manda. A produção diária chega a 20 unidades, de 500 a 600 gramas e, além de servidas aos turistas que visitam o local, abastecem o mercado da família e outros estabelecimentos da região.
Organização profissional
Na divisão de tarefas, cada membro da família Caldeira tem o seu papel. Pedro Afonso Caldeira, pai de Pedro Henrique, cuida do rebanho e da ordenha. São 100 litros de leite produzidos por dia na propriedade. A mãe, Maria Goretti, comanda a queijaria. E Pedro Henrique, o filho com olhos de empreendedor, cuida da gestão, da marca e da experiência que recepciona os visitantes.
Mas nem sempre foi assim. Até 2021, a família vendia o leite in natura e fabricava algumas peças de queijo frescal para consumo próprio e venda informal, sem certificação, rótulo e mercado. “Perdíamos valor no produto e não tínhamos perspectiva de crescer”, conta Pedro Henrique.
A transformação começou a partir da aposta no queijo minas artesanal, recuperando o modo de fazer tradicional. Em dezembro de 2021, a Trilhos do Ferro conquistou o Selo ARTE, e passou a transformar, integralmente, o leite em queijo. A produção dobrou, o produto ganhou identidade e rótulo. Na região, a Trilhos do Ferro é, hoje, uma das quatro marcas detentoras do Selo ARTE num universo de cerca de 200 produtores que ainda operam sem regularização.
Ampliação de mercado
Os bons resultados das vendas do queijo ganharam força com o turismo de experiência. A região Entre Serras da Piedade ao Caraça é um dos mais importantes patrimônios naturais, históricos e religiosos de Minas Gerais, e tem crescido como destino. “Vendemos o queijo na porta, mas o turismo deu outro significado para o produto. As pessoas querem saber de onde vem, quem fez e como foi feito. Quando elas provam aqui, com a história sendo contada junto com a degustação, o valor é completamente diferente”, diz Pedro Henrique.
A transformação da Trilhos do Ferro contou também com o apoio de entidades locais como a Associação Comercial e Industrial de Rio Piracicaba (Aciarpi) e a Associação dos Produtores Rurais de Ponte Novinha e Região (APRPN). A família também participou de capacitações do Sebrae Minas em gestão empresarial e boas práticas leiteiras. Hoje, os planos de Pedro Henrique incluem ampliar e personalizar as experiências na pousada, oferecer degustações guiadas com maior profundidade e valor agregado.
-
Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Rio Doce e Vale do Aço
Fernanda Pereira – (31) 98250-1752

