A trajetória de Júlio Leonel é um retrato do empreendedorismo rural que evolui com o tempo, combinando experiência, adaptação e busca constante por inovação. Produtor de abacaxi há mais de três décadas em Frutal, no Triângulo Mineiro, ele construiu um negócio sólido, acompanhando as transformações do setor e as demandas do mercado. “O início da minha jornada foi em meados de 1985, quando meu pai, que era comerciante, tinha um sítio e cultivava o abacaxi. Ele se afastou do cultivo, ficou com o comércio e eu dei sequência. Na época, eu trabalhava sozinho e, aos poucos, fui aumentando a produção”, lembra.
Júlio começou de forma gradual, com cerca de 15 mil plantas, em meio hectare. Ao longo dos anos, expandiu a produção até alcançar, aproximadamente, 350 mil pés, distribuídos em 10 hectares, consolidando sua atuação no distrito de Aparecida de Minas, importante polo produtor da região. “Minha trajetória é de persistência e paixão. O abacaxi tem um cultivo de ciclo longo, demora cerca de um ano e meio para produzir, e depende muito do mercado. Acertar o preço para não perder esse tempo de trabalho é a maior dificuldade”, explica.

Evolução com apoio técnico
Com o crescimento da produção, vieram também os desafios. A necessidade de melhorar o manejo, aumentar a produtividade e, principalmente, estruturar a gestão da propriedade rural, exigiu novas soluções. Foi nesse momento que Júlio buscou o apoio do Sebrae Minas para aprimorar sua atuação. Em 2016, ele acessou o Sebraetec – Boas Práticas Agrícolas, consultoria especializada e personalizada, voltada à implantação de melhorias em todas as etapas da produção, do preparo do solo ao pós-colheita.
O Sebraetec é um programa do Sebrae que conecta pequenos negócios a soluções de inovação sob medida, com atendimento técnico especializado e subsídio de até 70% dos custos. No caso de Júlio, o foco esteve na adoção de boas práticas agrícolas, com orientações que contribuíram diretamente para a organização da produção e o aumento da eficiência.
“A minha permanência na lavoura de abacaxi é resultado de uma paixão, de gostar do que faço e, também, do suporte do Sebrae, que foi um diferencial na minha lavoura. A capacitação, as consultorias de boas práticas, as técnicas de irrigação, tudo isso vem melhorando meu manejo e a sustentabilidade do meu trabalho”, destaca o agricultor.
Com o acompanhamento, Júlio passou a aplicar técnicas mais adequadas de manejo de solo, plantio e irrigação, além de fortalecer a gestão do negócio rural. A propriedade deixou de ser vista apenas como uma atividade produtiva, e passou a ser administrada com uma visão mais estratégica, baseada em controle de processos e tomada de decisão embasada em dados.

Salto na competitividade
Os impactos foram percebidos tanto na produtividade quanto na qualidade da produção. A adoção de boas práticas reduziu desperdícios, aumentou a eficiência e tornou o negócio mais competitivo e sustentável. “Minha lavoura é livre de defensivos agrícolas”, afirma o produtor.
Além dos ganhos operacionais, a evolução abriu espaço para a inovação. Júlio participou de um experimento com a Embrapa, para o desenvolvimento de novas variedades de abacaxi resistentes à fusariose, principal doença que afeta a cultura. A nova variedade, além da resistência, apresenta menor necessidade de defensivos e características sensoriais diferenciadas.
Atualmente, Júlio avança para uma nova etapa: a estruturação de um projeto, em parceria com o Sebrae Minas, voltado à multiplicação dessas matrizes, com o objetivo de ampliar o acesso à tecnologia para outros produtores da região. “Quando a gente ouve falar em Sebrae, imagina que está presente apenas na cidade, mas o Sebrae está também no campo, no agro, junto das pequenas e médias propriedades. O Sebrae me ajudou muito”, afirma.
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Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Triângulo
Vanessa Braga
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