No centro histórico do Serro, município localizado no Alto Jequitinhonha e reconhecido pela arquitetura colonial e pelo queijo artesanal que leva seu nome, o Café da Praça ocupa um ponto simbólico, aos pés da escadaria de pedras da Igreja de Santa Rita, o principal cartão-postal da cidade. À frente do estabelecimento, o casal Griziele Campos e Humberto Mota dividem a gestão de uma cafeteria e empório que vai além da gastronomia. Trata-se de um projeto de memória, identidade e vida.
A parceria começou antes mesmo da abertura do Café da Praça. Em 2018, o casal abriu a loja Queijo do Cedro, marca da família de Griziele, que pertence à quinta geração de produtores de Queijo Minas Artesanal. Os anos seguintes trouxeram aprendizados e, no período mais difícil, uma oportunidade. “Veio a pandemia, um momento que enfrentamos juntos, e em meio a tantas incertezas, surgiu a oportunidade de comprar o Café da Praça”, conta Griziele.

“Primeiro vieram as ideias e, naturalmente, o desejo de transformar aquilo em um espaço onde pudéssemos receber pessoas e contar histórias do Serro e de Minas através da comida”, complementa.
Do sonho ao negócio
Misturar vida pessoal e negócio não é uma equação simples. O grande desafio do casal, principalmente no início, foi a construção modelo de trabalho baseado na confiança mútua e na clareza dos papéis. Humberto cuida mais da estrutura, crescimento e financeiro, enquanto Griziele se concentra no operacional, na experiência oferecida ao cliente e no cuidado com a comida. As decisões relevantes são sempre tomadas em conjunto.
“Entendemos desde o início que a parceria só funcionaria se tivéssemos respeito e acreditássemos na habilidade individual de cada um, e se soubéssemos separar o relacionamento do negócio”, explica Griziele.
“Hoje, percebemos que essa confiança construída no relacionamento é o que sustenta a empresa nos dias mais difíceis”, acrescenta Humberto.
Segundo a empreendedora gerir um negócio artesanal e que exige presença constante não a deixa imune à insegurança, cansaço e pressão financeira. Mas, nesses momentos, a parceria se mostrou um recurso concreto. “Quando um desanima, o outro sustenta. Existe um entendimento silencioso de que estamos construindo algo maior juntos, e isso transforma as dificuldades em aprendizado”.
No cardápio, suas histórias
O diferencial do Café da Praça está em uma proposta que poucos lugares conseguem executar com autenticidade: a harmonização do Queijo Artesanal da Região do Serro, produto reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade pelo modos de fazer, com cafés especiais, doces caseiros, geleias e vinhos de produção local. O sorvete de queijo e os pães de queijo recheados com carne de lata completam um cardápio que não apenas valoriza ingredientes regionais, mas resgata técnicas que atravessam gerações.
“O queijo artesanal é protagonista porque ele representa patrimônio, tradição e pertencimento. O sorvete de queijo traduz nossa vontade de reinventar essa tradição”, afirma Griziele. “Mais do que vender pratos, buscamos criar memória e oferecer qualidade no atendimento e nos preparos.”
O estabelecimento integra a Rota do Queijo da Região do Serro, um trabalho conjunto entre Sebrae Minas e Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult).
Amadurecimento
A história do Café da Praça também passou pelo amadurecimento da gestão. Com o apoio do Sebrae Minas, o casal conseguiu sair da lógica de quem empreende movido apenas pelo sonho e passou a tomar decisões com mais segurança e planejamento. Gestão financeira, aprimoramento da experiência do cliente, desenvolvimento de pratos que contam a história da região, essas foram algumas das frentes trabalhadas.

“Conseguimos enxergar o Café da Praça de maneira mais estratégica”, afirma Griziele. As metas do casal para os próximos anos apontam na mesma direção: consolidar o estabelecimento como referência em experiência gastronômica no Serro, fortalecer a marca e crescer de forma consciente, mantendo a autenticidade e a qualidade.
O sonho não pode ser individual
Para Griziele e Humberto, cada conquista ganha outro significado quando é compartilhada por quem viveu o processo inteiro. O conselho que o casal dá a quem pensa em empreender junto é direto: aprender a separar os papéis, sem perder o cuidado um com o outro. “Nem toda conversa precisa ser sobre trabalho, e preservar o relacionamento é tão importante quanto cuidar da empresa”, diz Griziele.
A tradução que resume o que construíram é simples: ver o café cheio, ouvir as pessoas comentando sobre os sabores e a experiência e perceber que o que um dia era apenas uma vontade foi se transformando em um lugar de encontro e memória para muitas pessoas.
Conheça mais sobre o Café da Praça em: @cafedapracadoserroserro
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Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Jequitinhonha e Mucuri
Samuel Martins – [email protected]
