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Para muitos, a escola é lugar de aprendizado. Para Hellen Cristina Luzia Leoncio de Souza Nascimento representou também abrigo, alimento e recomeço. Nascida em uma família de cinco irmãs, na zona rural de Periquito, no leste de Minas Gerais, Hellen foi criada em meio a uma realidade marcada pela pobreza e pela vulnerabilidade social, e encontrou na sala de aula o primeiro sinal de que a vida poderia ser diferente. Hoje, aos 34 anos, lecionando há mais de uma década nas redes municipais de Timóteo e Coronel Fabriciano, Ellen se sente realizada por ter alcançado o sonho que parecia mais distante: se tornar educadora.

No Dia Mundial da Educação (28/04), sua trajetória ganha ainda mais significado. Não apenas pela superação pessoal, mas pelo impacto que vem gerando na vida de centenas de estudantes das periferias do Vale do Aço. “Eu não acreditava que conseguiria ser professora. A educação me fez acreditar em mim quando eu mesma não acreditava”, conta. A infância difícil, sem acesso ao básico, como alimentação regular, fez da escola um refúgio.

“Era onde eu ia para ler, para comer, para me proteger. E foi ali que aprendi a amar a educação”, relembra, emocionada.

Inspirada pelos educadores que lhe ensinaram e acolheram, esse amor virou propósito. Aos 17 anos, saiu de casa para trabalhar como doméstica em Timóteo. Entre uma jornada e outra, seguiu estudando. Com incentivo, ingressou no Cefet, formou-se em metalurgia, mas logo percebeu que seu caminho era outro. Conquistou uma bolsa pelo ProUni e se formou na faculdade de pedagogia. Pouco tempo depois, já estava em sala de aula, espaço onde, segundo ela, encontrou sua missão de vida. “Eu me considero filha de Paulo Freire. Acredito que a educação transforma pessoas, e essas pessoas transformam o mundo, a realidade delas, a comunidade onde vivem.”

Empreender para transformar a realidade

Foi com esse olhar que Hellen enxergou um novo horizonte no Programa Nacional de Educação Empreendedora (PNEE), do Sebrae Minas, iniciativa do Sebrae que leva a cultura empreendedora para dentro das escolas. Na Escola Municipal Novo Tempo, em Timóteo, onde atua, o programa encontrou terreno fértil: uma comunidade carente, marcada pela escassez de recursos, pela informalidade e por desafios sociais históricos.

Hellen (à direita) e os colegas da Escola Municipal Novo Tempo, em Timóteo. Crédito: Divulgação
Hellen (à direita) e os colegas da Escola Municipal Novo Tempo, em Timóteo. Crédito: Divulgação

A partir da metodologia do programa, Hellen e outros educadores começaram a trabalhar com os alunos não apenas conteúdos tradicionais, mas também competências empreendedoras, comportamentos, projeto de vida e senso de pertencimento. O resultado foi além da sala de aula. Os estudantes passaram a olhar para o próprio território com mais atenção e senso crítico. Identificaram problemas, mapearam oportunidades e criaram soluções inovadoras. Uma delas ganhou destaque: o desenvolvimento de um aplicativo que reúne e divulga pequenos empreendedores do bairro, incentivando o consumo local e fortalecendo a economia da comunidade.

“O nosso objetivo era mostrar para eles que o dinheiro pode circular dentro do bairro, gerar renda, emprego e desenvolvimento. E eles abraçaram essa ideia”, conta a professora. Iniciado em 2024, o projeto envolveu toda a escola, da educação infantil aos anos finais do ensino fundamental, e segue em expansão. A cada ano, os alunos trabalham em melhorias e atualizações e, agora, a expectativa é disponibilizar o aplicativo nas lojas digitais, ampliando ainda mais o alcance da iniciativa.

Reconhecimento e inspiração

O trabalho desenvolvido rendeu a Hellen o primeiro lugar na etapa estadual do Prêmio Educador Transformador, promovido pelo Sebrae. Ela representará Minas Gerais na etapa nacional, em São Paulo, no início de maio. Para ela, mais do que um reconhecimento individual, o prêmio simboliza o poder de uma educação conectada com a realidade dos alunos. Apesar da conquista, Hellen mantém os pés no chão. “Eu falo que não sou eu que chego nos lugares, é a educação que me leva”, diz.

Dentro da sala de aula, o impacto é visível. Muitos alunos se enxergam na história da professora e passam a acreditar que também podem ir além. “Eu me vejo neles, e quero que eles se vejam em mim. Que entendam que o ponto de partida não define o ponto de chegada”, diz.

Educação que acolhe e transforma

Para a educadora, ensinar vai muito além de transmitir conteúdo. É acolher, escutar e, principalmente, ajudar o aluno a se reconhecer como sujeito capaz de transformar a própria realidade.

“Na periferia, muitas vezes o maior desafio é fazer o aluno se enxergar. Eles precisam de alguém que acredite neles, que mostre que eles são capazes”, ressalta.

Essa visão dialoga diretamente com os princípios do PNEE, que busca desenvolver autonomia, protagonismo e pensamento crítico nos estudantes, preparando-os não apenas para o mercado, mas para a vida. Para Hellen, a educação não só mudou sua trajetória, como se tornou ferramenta para transformar outras histórias. Sua trajetória prova que, quando a educação encontra propósito, ela ganha o poder de transformar.

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Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Rio Doce e Vale do Aço

Fernanda Pereira (Stark) – (31) 98250-1752

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