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Turismo de base comunitária aproxima Rota Bahia-Minas e Caminho da Fé

Empreendedores mineiros participaram de missão técnica para trocar experiências com gestores da Associação dos Amigos do Caminho da Fé (AACF)
Por Samuel Martins
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Empreendedores de diversos setores que integram a Rota Bahia-Minas participaram, entre os dias 5 e 9 de julho, de uma imersão promovida pelo Sebrae Minas no Caminho da Fé, que abrange mais de 70 cidades de São Paulo e Minas Gerais. Durante a missão técnica, o grupo visitou empreendimentos, trocou experiências com gestores da Associação dos Amigos do Caminho da Fé (AACF) para reunir ideias que podem impulsionar o desenvolvimento da Rota Bahia-Minas.

Inspirado no Caminho de Santiago de Compostela, o Caminho da Fé tem como destino o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, maior polo de turismo religioso do país. A rota é feita todos os anos por cerca de 35 mil peregrinos que seguem a pé ou de bicicleta.

Um dos pontos de destaque observados durante a viagem foi o modelo de gestão, a organização de eventos, a estrutura de apoio aos cicloturistas e as estratégias de comercialização das experiências, que possibilitaram aprendizados que poderão ser adaptados e aplicados na consolidação da Rota Bahia-Minas.

Caminho da Fé tem como destino o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, maior polo de turismo religioso do país

Percorrer caminhos para atravessar montanhas e florestas, seguindo trajetos sinalizados que ligam histórias e comunidades, é uma experiência cada vez mais presente no turismo brasileiro. Nesse contexto, o Caminho da Fé e a Rota Bahia-Minas se assemelham por proporcionar ao turista uma experiência de base comunitária.

“São dois projetos de turismo de base que, mesmo distantes e com motivações diferentes, possuem essência bem parecida. Quem percorre os destinos vive uma experiência de resgate da simplicidade e da brasilidade que ainda resiste no interior”, destaca o analista do Sebrae Minas Jeferson Batalha.

“No momento em que nossa rota está buscando a consolidação, entender os passos dados por outra associação abre o caminho”, destaca o presidente da Associação de Empreendedores da Rota Turística Bahia-Minas, Wender Márcio.

Itinerário Turístico

O Caminho da Fé é administrado pela Associação dos Amigos do Caminho da Fé (AACF), entidade responsável pela gestão, pelo planejamento estratégico, pela preservação da rota e pela proteção da marca. Em 30 de junho, o roteiro foi reconhecido como itinerário turístico em Minas Gerais e São Paulo por meio da sanção da Lei Federal 15.449/2026. Agora, com o reconhecimento oficial, os municípios do trajeto poderão receber apoio para estruturar, promover e preservar os atrativos turísticos do caminho.

“O turismo de base é uma estratégia fundamental para o desenvolvimento de territórios. É uma ferramenta que pode trabalhar a questão do planejamento territorial, incentivando o surgimento de novos negócios, fortalecendo o acolhimento das comunidades e a identidade cultural dessas localidades, afirma a gestora do Caminho da Fé, Camila Bassi.

A Rota Bahia-Minas

A reativação do trecho da Rota Bahia-Minas, estrada de ferro que ligava Araçuaí, interior de Minas Gerais, ao distrito de Ponta de Areia, em Caravelas, na Bahia, começou em 2018, quando o Sebrae Minas apresentou um projeto de desenvolvimento regional que unisse municípios dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Por meio do programa “Check-in Turismo” foram realizadas ações de qualificação de empreendedores da região, para que pudessem oferecer melhores experiências aos turistas, atrair novos visitantes e gerar emprego e renda para as cidades.

O percurso da Rota Bahia-Minas reúne edificações históricas, como vilas, capelas, igrejas, estações e fazendas. A maior parte delas ainda está de pé, assim como dezenas de casas erguidas para os antigos funcionários da ferrovia.

O caminho também tem diversos pontilhões de ferro fundido, hoje adaptados para o tráfego de automóveis ou abandonados, mas que mantêm muitas das suas características únicas, além de túneis centenários, riachos, lagoas, cachoeiras e grandes formações rochosas, resultado de milhões de anos de ação da natureza.

Pela rota é possível apreciar a transição do bioma da caatinga para a mata atlântica, com diferentes espécies de flora e fauna. Essa mistura também se reflete na variação climática, aspectos que favorecem a prática do ecoturismo.

O que tem pelo caminho?

O roteiro começa em Araçuaí, que abriga a última estação da estrada de ferro, finalizada em 1942. Por lá o turista encontra o Museu de Araçuaí, que conta um pouco da história do Vale do Jequitinhonha. O espaço foi criado por Frei Chico e pela artista Lira Marques, com a missão de revelar que a riqueza do território não está embaixo da terra, mas sim nas pessoas. No acervo há objetos e documentos que registram a religiosidade, os usos, costumes e ofícios populares.

Do museu, o turista segue para a estação de Engenheiro Schnoor, onde é possível apreciar trechos de estrada abertos entre as formações rochosas, conhecidas como cortes de pedras. O próximo destino é o distrito de Queixada, em Novo Cruzeiro, onde é possível apreciar iguarias típicas da região, preparadas no fogão de lenha. Já dentro da cidade, o destaque é o tradicional pastel.

Em Ladainha, as quedas d\’água em meio à Mata Atlântica ajudam a relaxar e renovar as energias. A antiga estação de trem do município foi transformada em um ateliê de artes. Já em Poté fica a comunidade de Sucanga, onde está localizada a estação inaugurada em 1927, que ainda conserva suas características originais. De lá, os visitantes seguem rumo à estação de Valão. A próxima cidade é Teófilo Otoni.

Em Pedro Versiani, zona rural de Teófilo Otoni, o turista encontra o Sítio Pé na Roça. Na propriedade foi criado o museu “As Kalanga Véia”, um acervo com mais de 90 bicicletas separadas por tipos — mountain bike, para asfalto e exóticas — além de um receptivo de apoio, onde são servidos café, bolos, quitandas e água de coco.

Em Minas Gerais, a rota é finalizada no município de Carlos Chagas, que abriga em seu território a comunidade de Francisco Sá. Lá, os turistas são recebidos pelo Grupo Teatral Dramedia, que apresenta a peça “Trilhos de um Destino: A Força do Homem e do Vapor”, embalada por canções e histórias sobre José Joaquim de Amorim, construtor responsável pela ferrovia e pela Estrada de Ferro Bahia-Minas. Ainda em Francisco Sá, o turista encontra a Rocinha Pouso e Café, opção de hospedagem e de gastronomia da região.

Viva a Bahia-Minas

Para conhecer mais, acesse o site www.rotabahiaminas.com.br e acompanhe as dicas de viagem, a programação de eventos, as indicações de hospedagem e os lugares para saborear a gastronomia da região.

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Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Jequitinhonha e Mucuri

Samuel Martins

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