O Sebrae Minas promoveu, na última quinta-feira (27), em Teófilo Otoni, o 1º Simpósio Regional Qualidade dos Cafés do Vale do Mucuri. O evento reuniu cafeicultores da região para conhecer os resultados do trabalho de acompanhamento técnico que a instituição realizou junto à cadeia produtiva do café ao longo da safra de 2026, com o objetivo de elevar a qualidade dos lotes e ampliar o acesso dos produtores a mercados mais exigentes.
Os cafeicultores que participaram da trilha de acompanhamento em 2026 tiveram seus cafés avaliados pela metodologia de análise sensorial da Specialty Coffee Association (SCA), que considera dez atributos: aroma, sabor, retrogosto, acidez, corpo, uniformidade, ausência de defeitos, doçura mínima, balanço e conceito final.

Os cafés mais bem pontuados foram revelados durante o simpósio. Na categoria Café Arábica, o primeiro lugar ficou com Neidimar Macedo, de Itambacuri, com 85,5 pontos. A mostra apresentou perfil sensorial com notas de frutas vermelhas, morango e framboesa, acidez média e corpo licoroso. Na sequência, Eduardo Luiz Spadetto, também de Itambacuri, somou 81,5 pontos, e Washington Batista, de Ladainha, fechou o pódio com 80,0 pontos.
Já na categoria Café Conilon, a primeira colocação foi para o casal Robson Quaresma e Edcléia Gomes, de Novo Oriente de Minas, com 86,0 pontos, com um café de notas de açúcar mascavo, floral, chocolate, caramelo e melaço, acidez média e corpo macio. Fabio Junior Soares, de Pavão, ficou em segundo lugar, com 84,75 pontos, e Elza Maria Soares, de Teófilo Otoni, em terceiro, com 83,5 pontos.
A atuação do Sebrae Minas junto aos cafeicultores do Vale do Mucuri foi estruturada em quatro etapas ao longo da safra. A primeira, de visitas de pré-colheita, consistiu na avaliação inicial das propriedades, com levantamento do potencial dos cafés, observação da maturação e da florada, verificação da estrutura de secagem disponível e planejamento das estratégias de colheita. Em seguida, a equipe técnica acompanhou a colheita dos frutos maduros e orientou os produtores quanto à seleção dos lotes, aos processos de fermentação e lavagem, ao manejo pós-colheita e ao início da secagem.
A terceira etapa se concentrou no acompanhamento da secagem e do armazenamento, com orientações sobre o manejo correto dos grãos, o controle da umidade e o armazenamento adequado dos lotes. Por fim, a etapa de análise sensorial e apresentação dos resultados foi concluída com as provas dos cafés produzidos ao longo da safra.
Expansão da Cafeicultura do Vale
Durante o simpósio, os cafeicultores do Vale do Mucuri também foram mobilizados para a adesão à certificação fair trade, prática de comércio justo que passa a ser o próximo passo do trabalho conduzido pelo Sebrae Minas na região. A próxima etapa prevê uma sensibilização dos produtores para promover a sustentabilidade, a valorização da atividade cafeeira e a introdução de práticas de comércio justo. “Queremos conectar a produção de cafés especiais da região a mercados internacionais mais exigentes e conscientes em relação à origem e às condições de produção”, destaca a analista do Sebrae Minas Kamila Eugênio.
O fair trade é um selo de certificação internacional que garante aos produtores rurais condições comerciais mais justas, com preços mínimos garantidos, prêmios sociais aplicados em benefício das comunidades produtoras e exigências relacionadas à sustentabilidade ambiental e às condições de trabalho. Na prática, o modelo reduz a exposição dos cafeicultores às oscilações do mercado internacional, assegurando uma remuneração mais estável e, em muitos casos, superior à obtida na comercialização convencional.
Os recursos adicionais gerados pelo prêmio social são revertidos em investimentos coletivos, como infraestrutura, capacitação e melhorias na própria produção, o que amplia o impacto do certificado sobre a renda e a qualidade de vida dos produtores.
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Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Jequitinhonha e Mucuri
Samuel Martins – [email protected]

