Uma gestão municipal bem-sucedida exige três qualidades inegociáveis de quem governa: comprometimento com o povo que o elegeu e deposita nele sua confiança; competência para executar um plano de trabalho com resultado; e coerência para praticar exatamente aquilo que se fala, sempre.
Este debate foi provocado pela especialista em liderança corporativa, Erika Linhares, durante palestra no Delta Forum’26, principal evento de desenvolvimento econômico do estado, promovido pelo Sebrae Minas, nesta quarta-feira (8/4). “A gestão pública melhora a qualidade de vida das pessoas, e isso é sentido, não dito. É preciso ser coerente e ter caráter para praticar aquilo que você diz, entregando resultados reais à população”, reforçou.
A fundadora da escola de educação corporativa B-Have e autora do livro “Gente feliz não enche o saco” – obra na qual fornece dicas de empreendedorismo e gestão ao final de cada capítulo -, iniciou a carreira como sacoleira. Aos 19 anos, deixou o trabalho informal para ingressar na faculdade de Pedagogia, e começou a trabalhar na prefeitura de Sete Lagoas, sua cidade natal, no interior mineiro.
Com 22 anos de idade, conseguiu uma vaga como atendente de loja de telefonia. Ao longo de 13 anos, Erika foi alçando novas funções e deixou o mercado corporativo como diretora nacional de uma das maiores empresas do Brasil, com cerca de 60 mil clientes. “Na minha trajetória, entendi que as pessoas são engajadas e demonstram resultados extraordinários. Esse é o motivo pelo qual elas trabalham. O líder, seja na esfera pública ou privada, tem o papel de fazer o outro pensar no papel dele naquela atividade que desempenha”, frisou.
Expectativa por resultados
As demandas da população são universais e constantes: educação de qualidade; atendimento de saúde digno; segurança; oportunidade de emprego; perspectiva de futuro; e espaços públicos para lazer e cultura. “Por trás de cada voto, existe uma expectativa concreta de melhoria de vida. O caminho para atender o que o povo espera passa por liderança firme, equipe qualificada e foco em resultado. E o que sustenta tudo isso é o desenvolvimento econômico local. Sem geração de riqueza no município, não há receita para entregar o que o povo precisa”, reforçou.
Ainda de acordo com Erika Linhares, para que os gestores municipais consigam realizar essa entrega, é preciso que tenham as pessoas certas nos lugares certos. “Cargos de confiança exigem mais do que lealdade política, passam por competência técnica e comportamental. Nomeações erradas decepcionam o eleitor e são de inteira responsabilidade do gestor público. E para o servidor concursado a pergunta é: ele sabe para onde está indo? Ele também precisa de objetivos claros, indicadores mensuráveis e senso de propósito”, explicou.
As sete maiores ineficiências da gestão pública
“Identificar os gargalos é o primeiro passo para superá-los. E na gestão pública, enfrentar esses pontos é essencial para qualquer gestão que queira, de fato, gerar impacto positivo na vida da população”, afirmou Erika Linhares. Diante desse cenário, a palestrante apresentou as sete maiores ineficiências da gestão pública:
1. Manutenção dos pequenos poderes: chefias que protegem território em vez de entregar resultado. A pergunta certa é: isso é útil para o cidadão?
2. Burocracia excessiva: atrasa o país e aumenta a corrupção. Simplificar processos é um ato de governança responsável;
3. Resistência à mudança: é preciso automatizar, evoluir processos e crescer em produtividade. Investir em tecnologia não é gasto, é estratégia;
4. Trabalho sem propósito: trabalha para pagar boleto ou para prestar serviço? Quem não vive para servir, não deveria servir para viver. O nome do cargo já diz tudo: servidor público;
5. Nomeações equivocadas: gestor é responsável por quem nomeia. Avaliar sempre a competência técnica e comportamental, não apenas a proximidade política. Uma nomeação errada custa caro ao cidadão;
6. Falta de engajamento: como engajar um servidor? Mostrando importância e utilidade do trabalho dele. Quem entende o impacto do que faz, faz com mais dedicação. Engajamento não é benevolência, é gestão;
7. Esforço sem resultado: é incompetência disfarçada de dedicação. Toda prefeitura deve ter um plano estratégico com indicadores claros para medir quem entrega e quem apenas ocupa espaço.
Sobre o Delta Fórum
O Delta Fórum é o principal evento sobre desenvolvimento econômico de Minas Gerais. Desde 2019, a iniciativa conecta líderes públicos, especialistas e instituições para potencializar o desenvolvimento e melhorar o ambiente de negócios.
Em 2026, o mote do Delta Fórum é “Territórios conectados a resultados transformadores”. A abertura do evento, realizada no dia 7 de abril, também foi palco do Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora (PSPE), que reconhece as melhores práticas de gestão pública voltadas ao desenvolvimento econômico, inovação e empreendedorismo nos municípios. Conheça aqui os vencedores do PSPE.
Assessoria de Imprensa Sebrae Minas
Flávia Ferraz (Stark)
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