Minas Gerais encerrou 2025 com saldo líquido de 79.008 postos de trabalho com carteira assinada, segundo levantamento realizado pelo Sebrae Minas, a partir dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O resultado, embora positivo, representa uma queda de 43,23% em relação à 2024, quando o estado registrou 139.184 vagas formais.
No acumulado de janeiro a dezembro, as micro e pequenas empresas (MPEs) foram responsáveis por sustentar a criação líquida de postos de trabalho, com saldo positivo de 81.639 postos, enquanto as médias e grandes empresas (MGEs) encerraram o período com saldo negativo de -3.365 vagas. Serviços (45.622), Comércio (20.264) e Indústria (14.012) finalizaram o ano com bom desempenho, enquanto Construção Civil teve retração (-7.513).
Dezembro de 2025: ajuste sazonal aprofunda retração
Historicamente, dezembro é o mês mais negativo do Caged no estado e no país, com encerramentos de contratos e ajustes administrativos nas empresas, o que exige cautela na interpretação dos resultados mensais isolados.
Em dezembro de 2025, o mercado de trabalho formal mineiro registrou forte retração, com saldo de -72.755 postos, aprofundando a perda observada em novembro (-8.962). Foram contabilizadas 155.688 admissões e 228.443 desligamentos. O resultado reforça o padrão sazonal típico do encerramento do ano. Na comparação interanual, dezembro de 2025 ficou 4,35% inferior ao registrado em dezembro de 2024 (-69.725).
As MPEs tiveram papel central, com saldo de -39.504 vagas, acompanhando a retração observada nas MGEs (-31.158 postos). A Administração Pública também apresentou saldo negativo (-2.093), consolidando um mês de perdas generalizadas.

Setores e atividades com maior impacto
Todos os grandes setores econômicos apresentaram saldo negativo de vagas com carteira assinada em dezembro. As maiores perdas ocorreram em Serviços (-26.728), Indústria (-17.302) e Construção Civil (-14.811). O Comércio (-5.267) e a Agropecuária (-6.554) também fecharam o mês no vermelho.
As quedas mais expressivas concentraram-se em atividades ligadas à construção e à agroindústria, como Construção de rodovias e ferrovias (-2.096), Construção de edifícios (-1.896) e Horticultura, exceto morango (-1.343). Entre as MPEs, destacam-se perdas em Construção de edifícios (-2.382), Construção de rodovias e ferrovias (-1.762) e em atividades educacionais, como pré-escola (-1.268) e creche (-1.109).
Os saldos positivos de dezembro concentraram-se em segmentos pontuais, como Produção de sementes certificadas (+623), Lojas de departamentos ou magazines (+448) e Regulação das atividades de saúde e educação (+234). Entre as MPEs, houve destaque para lojas de departamentos (+471), supermercados (+412) e locação de mão de obra temporária (+334), refletindo demandas típicas do consumo de fim de ano.
O que esperar da economia nos próximos meses?
Os indicadores apontam para um cenário de desaceleração gradual da atividade econômica, após um fechamento de 2025 marcado por ajustes no mercado de trabalho. Enquanto o setor industrial permanece pressionado por custos e demanda oscilante, o segmento de serviços demonstra maior resistência.
“Apesar do ritmo mais moderado, os dados de confiança empresarial mostram melhora no início de 2026, especialmente nas expectativas para os próximos meses. Ainda assim, o ambiente segue desafiador, com condições financeiras mais restritivas no ambiente macroeconômico atual, o que tende a limitar decisões de consumo e investimento. Apesar disso, para Minas Gerais, setores estratégicos tendem a sustentar o crescimento no curto prazo e a expectativa é de crescimento moderado no começo deste ano, com destaque positivo para a mineração, impulsionada por novos projetos, e para a agropecuária, especialmente o café, em função do ciclo de bienalidade positiva da produção prevista para o ano. Em contrapartida, os setores de serviços e indústria de transformação devem manter desempenho mais contido, resultando em menor ritmo de geração de empregos, ainda que com níveis historicamente baixos de desemprego”, pontua o analista do Sebrae Minas Marcílio Duarte.
Sobre o Caged
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), instituído pela Lei nº 4.923, de 23 de dezembro de 1965, foi criado como instrumento de acompanhamento e fiscalização mensal das admissões e dispensas de trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A partir de 1986 passou a ser utilizado como suporte ao pagamento do seguro-desemprego e, mais recentemente, tornou-se um relevante instrumento à reciclagem profissional e à recolocação do trabalhador no mercado de trabalho.
O cadastro constitui importante fonte de informação do mercado de trabalho de âmbito nacional e de periodicidade mensal. Desde janeiro de 2020, o uso do Sistema do CAGED foi substituído gradativamente pelo Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial). Atualmente, todas as empresas estão obrigadas a declarar as movimentações por meio do eSocial.
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