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Empreendedora uberabense traz toque feminino a setor dominado por homens

Entre graxa, preconceito e gestão estratégica, Joelma Capucci construiu duas oficinas mecânicas e uma escola de formação profissional
Por Vanessa Braga
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O cliente entra, olha ao redor e hesita. A oficina é limpa, organizada, iluminada. No atendimento, quem conduz a conversa é uma mulher de postura firme, voz segura e conhecimento técnico. Não é recepcionista. Não é “a esposa do mecânico”. É a dona.

“Eu escutava todos os dias que eu era a secretária do café ou que ajudava meu marido. Nunca me viam como fundadora da empresa”, lembra Joelma Capucci.

A empreendedora uberabense decidiu ocupar um espaço que, por décadas, foi considerado exclusivamente masculino. E mais do que ocupar, decidiu transformar.

Joelma Capucci sempre teve o sonho de empreender no setor automotivo. Crédito: Divulgação
Joelma Capucci sempre teve o sonho de empreender no setor automotivo. Crédito: Divulgação

Filha caçula de quatro irmãs, criada em uma família humilde, Joelma cresceu ouvindo do pai que mulher precisava ser independente. Logo, ele incentivou as filhas a aprender a dirigir. “Meu pai sempre falava que o carro estava ligado à liberdade da mulher. Ele queria que fossemos protagonistas da própria história”, conta.

Antes de pensar em empreender, Joelma foi atleta de basquete pelo município. Do esporte trouxe disciplina, foco e resiliência. Aos 18 anos, deixou as quadras e começou a trabalhar na parte administrativa de uma oficina mecânica próxima de casa. Na época, a motivação era simples: conquistar independência financeira.

“Eu queria entender tudo. Ia para o pátio, perguntava, acompanhava o serviço. Não tem como administrar oficina sem saber o que está acontecendo ali”, explica.

Foi ali que descobriu duas paixões: os carros e o mecânico que dividia o pátio com ela. Anos depois, Rodrigo Dias se tornaria seu companheiro de vida e de negócios.

Apesar da experiência inicial na oficina, sua trajetória profissional seguiu por outro caminho durante alguns anos: ela cursou Direito e trabalhou quase uma década na área da saúde pública. O empreendedorismo só entrou definitivamente em seus planos depois da formatura, quando precisou decidir como investir o dinheiro da rescisão trabalhista.

Enfrentando desafios e preconceito

Formada, estudava para concurso público e sonhava em ser delegada. Mas havia outra paixão silenciosa crescendo: o universo automotivo. Em 2015, tomou uma decisão definitiva. Investiu o dinheiro da rescisão trabalhista na abertura da própria oficina. Rodrigo, mecânico com décadas de experiência técnica, inicialmente hesitou em entrar como sócio. Antes mesmo de convencê-lo já tinha alugado galpão, criado a marca e estruturado o plano.

O primeiro movimento foi buscar orientação no Sebrae Minas. “Eu fui lá, peguei os cadernos, fiz o plano de negócio. Tenho guardado até hoje”, relembra.

Nos primeiros anos o casal trabalhou praticamente sozinho. Joelma fazia atendimento, compras, controle financeiro, estoque e ainda ajudava no pátio ao lado de Rodrigo. Aprendeu a trocar óleo, tirar roda, negociar peça e lidar com fornecedores. Mas o maior desafio não era técnico.

O preconceito apareceu logo no início, tanto de clientes quanto de profissionais do próprio setor. “Muitos clientes perguntavam pelo responsável, mesmo eu sendo a dona. Alguns diziam que iam esperar ‘quem entendia de carro’ chegar”, conta.

A virada para a gestão

Quando a empresa começou a crescer, Joelma entendeu que precisava mudar a estrutura do negócio, deixou de ajudar no pátio para se posicionar como gestora. “Empreender não é só ter coragem. É se preparar para gerir”, define.

A mudança incluiu definição de funções, criação de processos internos e organização financeira. Joelma passou a investir em capacitação. Fez consultorias em finanças, marketing e inteligência emocional. Participa há três anos do programa Sebrae Delas. “Foi transformador. Eu vivi muitos anos só no ambiente masculino da oficina. No Delas, reaprendi a estar no meio de mulheres e trazer ainda mais o toque feminino para a oficina”, explica.

Hoje, a empresa conta com duas unidades. A matriz concentra serviços especializados, a filial opera como auto center de serviços rápidos. No mesmo espaço funciona ainda uma unidade da Escola do Mecânico, franquia voltada à formação e especialização de profissionais. A escola nasce com o intuito de ajudar a suprir a falta de mão de obra qualificada e, ao mesmo tempo, abrir portas para mais mulheres no setor.

Outro movimento estratégico foi investir na estrutura física das unidades, criando ambientes organizados e mais acolhedores para os clientes, especialmente para o público feminino. “Desde o início eu queria uma oficina limpa e organizada, mas não tinha recursos. Quando consegui investir, fiz questão de criar um espaço diferente”, destaca.

Persistência como método

Ao longo da trajetória, Joelma enfrentou desafios financeiros, resistência cultural e até dificuldades de acesso a crédito. Ainda assim, afirma que nunca considerou desistir. “Eu nunca tive plano B. Sempre foi plano A”, afirma.

Hoje, conciliando a gestão das empresas com a maternidade e novos projetos de expansão, ela segue apostando na profissionalização como base para crescer e abrir espaço para mais mulheres no setor automotivo. Joelma carrega uma frase que resume sua trajetória: “Onde dizem que não é lugar para mulher, eu vejo oportunidade”, finaliza.

Conheça mais sobre JR Auto Center em @jrautocenteruberaba.

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Assessoria de Imprensa do Sebrae Minas | Regional Triângulo

Vanessa Braga (Stark)

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