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Bonequeira do Jequitinhonha: Exposição em homenagem à Dona Izabel vira catálogo de artes

Por meio da publicação, Sebrae Minas apoia artesãos a se posicionarem no mercado e manterem vivo o saber herdado pela criadora das famosas bonecas-moringas
Por Samuel Martins (Stark)
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O saber artesanal que atravessa inúmeras gerações e leva as famosas bonecas-moringas de cerâmica para diversas partes do mundo foi eternizado no último dia 20 de março com o lançamento do catálogo da Exposição “Dona Izabel: 100 anos da Mestra do Vale do Jequitinhonha”. Apresentada no Rio de Janeiro, a publicação registra mais de 300 obras expostas na mostra promovida pelo Sebrae Minas e pelo Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), com apoio do Governo de Minas.

Dona Izabel deixou um legado de pioneirismo no trabalho com peças de cerâmica, em especial, as famosas bonecas do Vale do Jequitinhonha. Hoje, a quarta geração de ceramistas mineiros continua a tradição iniciada por ela, perpetuando técnicas e estilos que são a marca registrada da região.

O diretor de Operações do Sebrae Minas, Marden Magalhães, destaca que o catálogo cria oportunidades para os artesãos. “Estamos mostrando para o Brasil e para o mundo a vida e a obra de Dona Izabel e de todos os artistas que estão no Vale. Com esse registro, atraímos olhares para a região e sua arte, que é carregada de autenticidade e gera receita para muitas famílias”, frisa.

Lançamento do catálogo contou com a presença da atriz Marieta Severo no CRAB

A exposição foi aberta em agosto de 2024, no CRAB, no Rio de Janeiro e pode ser visitada até o fim de abril para celebrar a vida e a obra da grande mestra artesã mineira. Segundo o diretor do Artesanato Mineiro, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), Thiago Tomaz, a atividade tem reconhecimento internacional, mas quando se trata das peças do Vale do Jequitinhonha, fica mais evidente e expressivo. “Hoje, quem tem acesso a uma peça da região, a reconhece como artesanato mineiro. Isso é muito importante para a nossa cultura e para a geração de renda para as famílias que se sustentam com este ofício,” destaca.

Também esteve no evento o diretor de Desenvolvimento do Sebrae Rio, Sergio Malta, que exaltou a potencialidade do fazer artesanal do Jequitinhonha. “O CRAB é um espaço nacional e acolhedor. Logo, para que essa exposição acontecesse, foi necessário defender este projeto frente a outras nove propostas de exposições. Essa conquista para Minas reflete a qualidade e originalidade de seu artesanato”, reforça.

Marieta Severo e artesãos mineiros: um bate-papo sobre o legado de Dona Izabel

O lançamento do catálogo foi marcado pelo Papo CRAB. A roda de conversa sobre vida e obra da mestra artesã mineira reuniu a atriz Marieta Severo, o professor e curador Ricardo Lima e o artesão Augusto Ribeiro. Marieta é colecionadora das peças há decadas e contou ao público sobre sua paixão pelo artesanato brasileiro, em especial, pela obra de Dona Izabel.

A atriz cedeu à exposição do CRAB uma das peças de sua coleção: Boneca, criada pela própria Dona Izabel. “É importante ressaltar para todos os brasileiros o que representa ter uma arte com o vigor e a beleza da arte do Jequitinhonha. Nela, vemos retratada nossa história, principalmente, dos brasileiros que moram ali, e com uma grandiosidade enorme”, destaca. A colecionadora ainda completa: “Em cada peça, fico imaginando a vida delas, pois cada obra tem uma história do cotidiano das artesãs, e do que é o Vale”, conta.

Marieta Severo é colecionadora das peças de Dona Izabel

O curador da exposição, Ricardo Lima, valoriza a publicação. “O catálogo é uma obra completa sobre a história dessa artista, e sobre o que ela criou. É um conteúdo que confere outra dimensão sobre o seu legado e o universo da arte popular”, diz.

Augusto Ribeiro, um dos herdeiros da habilidade da Mestra Artesã, lembra como ela foi generosa em ensinar sua arte. “Minha troca com a Dona Izabel começou quando eu tinha quatro anos de idade e durou uma década até por conta da diferença de idade. No entanto, considero que ela não ensinou somente neste período, pois, até hoje, ela está presente para quem vive dessa arte. Em todas as nossas peças, tem a sua alma, ensinamento e inteligência”, conclui.

O artesão como empreendedor

O trabalho realizado pelos artesãos ganhou força, em 2021, quando foi criada a primeira Marca Território voltada para o artesanato no estado: a Vale do Jequitinhonha. Desenvolvida pelo Conselho das Artesãs da região, em parceria com o Sebrae Minas, a iniciativa contribui para divulgar a origem do produto, dar notoriedade à região e estimular a atividade como fonte de renda, aumentando sua valorização no mercado. Entre as ações realizadas está o fortalecimento da governança, capacitações em design e melhoria de processos, além de iniciativas para ampliar o acesso a mercados consumidores, por meio da participação em feiras e eventos nacionais do setor.

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Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Jequitinhonha e Mucuri

Samuel Martins

samuel.stark@sebraemg.com.br

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