“O que a vida quer da gente é coragem” já dizia Guimarães Rosa. A frase famosa pode servir de inspiração para os donos de Micro e Pequenas Empresas (MPE) e Microempreendedores Individuais (MEI) que enfrentam, neste momento, a crise econômica provocada pelo isolamento social imposto pelo novo coronavírus.
Para sobreviver no mercado, muitos deles estão se reinventando. Foi o que ocorreu com a WR Minas Buffet, da cidade de São Lourenço, no Sul de Minas, que teve todos os contratos previstos para os próximos meses cancelados ou adiados.
A empresa está no mercado há mais de 10 anos e é formada por uma família inteira: pai, mãe e filhos, além da avó salgadeira tradicional, de quem herdaram a vocação do negócio de família. Hoje, a empresa organiza casamentos, eventos empresarias e festas de aniversários e nunca tinha passado por uma situação parecida. “Vimos o nosso faturamento chegar a zero em uma semana”, relata uma das filhas, a engenheira de alimentos Andreia de Andrade Rodrigues.
Sem expectativas, o buffet teve que resolver um outro problema urgente: o que fazer com o estoque de alimentos e bebidas, que já tinha sido comprado para a organização dos eventos. “Eram três freezers lotados com seis mil salgadinhos e refrigerantes. Um investimento de cerca de seis mil reais, que estava prestes a se tornar prejuízo”, conta Andreia.
Reinvenção
A solução também veio em família, conversando durante um almoço, eles perceberam que precisavam criar uma alternativa para o negócio. Assim surgiu a ideia de vender os produtos considerados ‘carros-chefe’ da empresa, com entregas em domicílio.
Para colocar a ideia em prática, eles investiram em divulgação, se reorganizaram e, em uma semana, reinauguraram o novo negócio. Desde então, a WR vende combos que incluem salgadinhos, sanduíches e refrigerantes para lanches em família. O preço varia de 35 a 100 reais, dependendo da quantidade.
“Ainda não deu pra cobrir todo o prejuízo que tivemos. Mesmo assim, vamos continuar com o negócio até que a situação volte ao normal. Minha previsão é retornar com o buffet em agosto ou setembro”, acredita a microempreendedora.
Andreia explica ainda que o faturamento da empresa caiu em torno de 80%, mas ela enxerga um lado positivo em meio à crise: o novo negócio é uma chance de promover a degustação dos nossos produtos para novos clientes, o que antes era impossível de fazer.
“Em momentos de crise, é importante falar de casos de sucesso e de empresas que se reinventam, para motivar as outras e mostrar que há caminhos. Porque para remodelar um negócio é importante ter equilíbrio e organização. A WR Minas Buffet é um exemplo para as outras, de como se recolocar no mercado, em um momento tão complexo”, comenta a analista do Sebrae Minas Ticiana Lopes.
O próximo plano da empresa é inovar ainda mais no cardápio, com novos petiscos: batata frita, frango, polenta e carnes. E para os próximos meses, quando a temperatura cair bastante, a aposta será nos caldos quentes. “Tudo entregue na casa do cliente, ‘quentinho’ e no horário marcado, conforme já fazemos”, promete a empreendedora.
