Minas Gerais encerrou abril com saldo positivo de 8.991 empregos formais, resultado de 238.791 admissões e 229.800 desligamentos, segundo levantamento realizado pelo Sebrae Minas, a partir dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Mesmo com resultado positivo, o mercado de trabalho apresentou forte desaceleração em relação à março de 2026, quando foram criadas 37.982 vagas. A queda foi de 76,33% em apenas um mês, refletindo a redução das contratações e um cenário econômico mais cauteloso.
Na comparação com abril de 2025, a desaceleração também é expressiva. O saldo de empregos teve retração de 67,43%. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, Minas soma 78.640 novos empregos formais, resultado inferior aos 104.141 registrados no mesmo período de 2025.
Mesmo diante da desaceleração, as micro e pequenas empresas continuam sendo o principal motor da geração de empregos em Minas. Em abril, elas criaram 5.245 postos de trabalho, o equivalente a 58,34% de todas as vagas abertas no estado. Entre janeiro e abril, elas foram responsáveis por 41.907 vagas, o que representa mais da metade do saldo total.
O setor de Serviços foi o principal responsável pela criação de vagas, com saldo de 5.193 empregos, seguido pela Construção Civil, que gerou 3.837 postos de trabalho. A Agropecuária também apresentou desempenho positivo, com 945 vagas. Na direção oposta, o Comércio perdeu 1.846 empregos formais, registrando o pior desempenho entre os setores da economia mineira no mês de abril. Entre os pequenos negócios, o segmento também apresentou retração, com fechamento de 899 vagas.
Regionalmente, Belo Horizonte liderou a geração de empregos no estado, com saldo de 1.706 vagas, seguida por Paracatu (782), Nova Lima (692), Contagem (603) e Betim (553).
Perfil de contratações
O perfil das contratações mostra presença dos jovens no mercado de trabalho. Trabalhadores entre 18 e 24 anos responderam por 28,6% das admissões realizadas pelas MPE em abril. No saldo líquido do mês, essa faixa etária concentrou 4.609 vagas, demonstrando que os pequenos negócios seguem sendo uma das principais portas de entrada para quem busca o primeiro emprego. Outro dado relevante é a predominância de trabalhadores com ensino médio completo, que representaram quase 68% das admissões feitas pelas micro e pequenas empresas.

O que esperar da economia nos próximos meses
“Para 2026, o cenário-base de crescimento moderado enfrenta novos desafios, com o mercado monitorando uma mudança de percepção na política monetária. Embora o ano tenha começado com sinalizações de flexibilização, a persistência da inflação e o aumento das incertezas externas impuseram maior cautela ao Banco Central.
A economia brasileira demonstra resiliência, mas opera sob um ambiente externo instável. O risco de contágio via preços de combustíveis é o principal vetor de pressão para a inflação de curto prazo, o que tende a restringir a velocidade de melhora nas condições de crédito para as Micro e Pequenas Empresas (MPE).
A forte desaceleração das vagas líquidas de abril acende um sinal de atenção para os próximos meses. A sustentabilidade dos pequenos negócios dependerá da manutenção do consumo local e de estratégias de eficiência de custos operacionais frente a taxas de financiamento restritivas”, avalia a analista do Sebrae Minas Bárbara Castro.
Sobre o Caged
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), instituído pela Lei nº 4.923, de 23 de dezembro de 1965, foi criado como instrumento de acompanhamento e fiscalização mensal das admissões e dispensas de trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A partir de 1986 passou a ser utilizado como suporte ao pagamento do seguro-desemprego e, mais recentemente, tornou-se um relevante instrumento à reciclagem profissional e à recolocação do trabalhador no mercado de trabalho.
O cadastro constitui importante fonte de informação do mercado de trabalho de âmbito nacional e de periodicidade mensal. Desde janeiro de 2020, o uso do Sistema do CAGED foi substituído gradativamente pelo Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial). Atualmente, todas as empresas estão obrigadas a declarar as movimentações por meio do eSocial.
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