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Reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, a 300 km de Belo Horizonte, se tornou referência no turismo brasileiro devido ao conjunto arquitetônico colonial, suas tradições culturais e manifestações populares. Agora, a cidade dá um passo a mais no desenvolvimento econômico ao impulsionar a gastronomia com raízes nos quintais e na valorização das pessoas e dos saberes.

Os visitantes que chegam ao município encontram um roteiro rico de memórias históricas. A Casa de Chica da Silva, a residência de infância do ex-presidente Juscelino Kubitschek, o icônico Passadiço da Glória, que une dois casarões coloniais sobre a rua, e a Vesperata, espetáculo em que músicos se apresentam nas sacadas da Rua da Quitanda são atrações do município com três séculos de existência. Por sua vez, a gastronomia soma diversas influências, moldada desde os tempos das expedições que desbravaram as matas da região em busca de ouro e diamantes no período colonial brasileiro, no século 18.

As comitivas de garimpeiros, por exemplo, aprenderam a transformar os mantimentos disponíveis ao longo das jornadas em preparos simples e duradouros, dando origem ao que hoje se reconhece como a “culinária de garimpo”. O mesmo se observa entre os tropeiros, cuja rotina nas estradas moldou hábitos alimentares baseados na praticidade e na conservação dos alimentos.

A cultura alimentar também tem outras influências como a dos tempos de Chica da Silva (escrava colonial e nascida no Serro), quando o universo social era marcado por festas, cerimônias religiosas e práticas domésticas refinadas, nas quais a alimentação desempenhava papel central na afirmação de status social. Mais adiante, no século 20, Juscelino Kubitschek, filho da terra e personagem central da história brasileira, ajudou a projetar sabores diamantinenses para o país e para o mundo, valorizando os doces e quitandas.

Já na atualidade, além das influências da gastronomia contemporânea, a história é contada em pratos como o Bambá do Garimpo, do Chef Vandeca, que tem em sua base ingredientes encontrados nos quintais, como feijão cozido e batido, costelinha de porco refogada e folhas de mostarda ou couve.

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Mapeamento da gastronomia como oportunidade de negócios

Diante desse potencial, o Sebrae Minas desenvolveu um diagnóstico da cultura alimentar do território, que reúne pesquisas, levantamento de ingredientes e receitas locais, além de entrevistas com personagens que preservam esses saberes, documentados no Caderno de Identidade Gastronômica de Diamantina.

Uma comitiva composta por pesquisador de cultura alimentar, chefe de cozinha, consultores e técnicos fizeram uma imersão no território, com visitas a campo e oficinas de validação das informações coletadas. O resultado foi transformado em Caderno de Identidade Gastronômica, documentário “Diamantina: gastronomia, cultura e identidade” e no Plano de Futuro para a Gastronomia Diamantinense, documentos que vão além do registro cultural, pois propõem a orientar e gerar oportunidades de negócio para os pequenos empreendedores da cidade.

“Trabalhar a gastronomia em uma cidade com mais de 300 anos é, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade. A história já está presente, não estamos inventando nada, estamos respeitando e resgatando saberes construídos ao longo de séculos. O desafio é encontrar equilíbrio para que uma cultura alimentar tão rica não se perca nesse processo”, destaca o gerente do Sebrae Minas, Rogério Fernandes.

Para além do registro histórico, o Plano de Futuro busca que essa identidade saia do discurso e entre na rota dos pequenos negócios. A originalidade do território cria pertencimento, atrai turistas em busca de experiências únicas, fortalece marcas e contribui para a retenção de talentos na cidade impactando diretamente a economia regional.

Lançamento do Plano de futuro da Gastronomia da cidade entregue pelo Sebrae Minas à Gestão Municipal. Foto: @nereujr

Rústica, inovadora e diversa

A cozinha diamantinense é resultado do encontro de estradas e raízes. Tem influência de tropeiros e garimpeiros que habitaram a região, deixando seus saberes e modos de fazer. Ao mesmo tempo, é uma cozinha de origem, perpetuada pelas famílias e comunidades locais que preservam receitas, costumes e histórias ligadas aos quintais.

A identidade é feita de diferentes formas de cozinhar. A cozinha tropeira traz a praticidade de quem vive na estrada; os quintais revelam a relação com a terra e o clima; e a cozinha de garimpo nasce da necessidade, com soluções simples e criativas para alimentar quem enfrentava o trabalho duro.

A diversidade gastronômica vai dos ingredientes colhidos nos quintais aos preparos típicos que mantêm viva a memória do Jequitinhonha. Entre hortaliças frescas e saberes tradicionais, quitandeiras oferecem doces como a ambrosia além do bolo de arroz com abóbora, que a receita é resguardada e protegida como patrimônio do município.

Bolo de Arroz com Abóbora preparado pela cozinheira Ordália Santos, que atua na Vila Educacional de Meninas (VEM) ministrando oficinas de gastronomia. Foto: @nereujr

Já no Mercado Velho, construído em 1835 e que, hoje, é ponto tradicional de encontro de moradores e turistas aos sábados, o cheiro de café, e do pastel frito, se misturam às conversas que dão início ao dia. Nas casas, receitas de família como o feijão tropeiro, a paçoca de carne no pilão, o molho pardo e a canjiquinha seguem preservando histórias e afetos.

“Desde que eu me entendo por gente, minha família já fazia o molho pardo. Hoje, em muitos locais, fazem o molho engrossado com amido, mas aqui engrossamos com fubá”, conta Mãe Dalva de Aquino, que empreende no mercado municipal.

Fiel à cozinha de quintal, Mãe Dalva cozinha em casa e leva seus pratos para as feiras de sexta-feira e sábado no mercado velho.

“Eu tenho um lugar muito abençoado, porque se eu não tiver o molho pardo aqui eu posso subir ali na serra que eu acho o quiabo-da-lapa, acho uma palma. Tudo é daqui, são pratos tradicionais”
, citando ingredientes emblemáticos para a cultura alimentar regional, ao lado de outros como o ora-pro-nóbis, o broto de samambaia e a Maria Gondó, todas conhecidas como Plantas Alimentícias Não-Convencionais.

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Circuito Gastronômico

Até 23 de maio, o público poderá apreciar 14 pratos autorais no Circuito Gastronômico de Diamantina. Por meio de consultorias personalizadas, os empreendedores foram convidados a criar pratos com a “identidade garimpeira”, unindo ingredientes, técnica, tradição e inovação, e que serão apresentados, com exclusividade, no evento.

Mãe Dalva ganhou destaque como cozinheira no tradicional Mercado Velho. Foto: @nereujr

Batizado de Cozinha Garimpeira, o conceito que orienta a identidade gastronômica de Diamantina vai além da referência histórica ao garimpo. Assim como os garimpeiros do século 18 desbravavam em busca de pedras preciosas, chefs de cozinha, produtores artesanais, baristas, mixologistas e mestres de saberes são convidados a garimpar, lapidar e apresentar suas próprias versões da riqueza cultural diamantinense.

Confira aqui e os restaurantes participantes

História garimpada e transformada em experiências

Um exemplo vivo dessa transformação é o Relicário Gastronomia, restaurante de culinária contemporânea. Nascida em Belo Horizonte, mas com profundas raízes no interior mineiro, a chef Rachel Palhares Ferreira cresceu entre as panelas das avós, onde teve seu primeiro contato com o tempero. Desde a infância, a cozinha era muito mais do que um cômodo da casa, se transformando em um universo de possibilidades. Em 2013, ela começou a concretizar seu maior projeto: o Relicário.

No restaurante, a proposta para o circuito gastronômico é uma releitura do Chico Angu, um dos pratos favoritos de JK. O prato combina ingredientes típicos dos quintais em uma composição sofisticada: medalhões de coxa e sobrecoxa de frango desossadas, envoltas em bacon, ao molho de cogumelos frescos e leite de coco, servidas sobre folha de mostarda grelhada e acompanhadas de purê de milho verde com Queijo Minas Artesanal, crocante de castanha baru, tuile de parmesão e quiabos amanteigados.

Fiel ao ciclo das estações, Rachel prioriza ingredientes frescos no Relicário. Por isso, a mostarda e o quiabo podem ser substituídos por outros vegetais conforme a disponibilidade e a safra. Um gesto de respeito tanto à tradição local quanto à natureza que a abastece.

Chico Angu: Fiel à cozinha rural mineira, o prato popularizou no Distrito Federal na Era JK. Foto: @nereujr

“As expectativas para o circuito são as melhores e as maiores possíveis. Já tenho percebido que o prato, que está no circuito, está vendendo bem. O fluxo de pessoas no Relicário também está aumentando”, destaca Raquel.

Prepara Gastronomia

O Caderno de Identidade Gastronômica faz parte da metodologia do programa “Prepara Gastronomia”, direcionado a donos de bares, restaurantes, lanchonetes e similares com o objetivo de melhorar a gestão dos negócios e a eficiência operacional e reduzir custos de produção. O programa ainda oferece consultorias personalizadas, com a visita de um chefe para apoiar a criação de novos pratos e a modernização dos cardápios, especialmente, com a inclusão de ingredientes da região.

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Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Jequitinhonha e Mucuri

Samuel Martins – [email protected]

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