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Região do Cerrado Mineiro lança movimento regenerativo e amplia papel da origem no mercado global de café

Responsável por 12,7% da produção nacional, RCM lança nova marca e dá início a movimento regenerativo que alia regeneração, rastreabilidade e desenvolvimento territorial
Por Redação
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A Região do Cerrado Mineiro, primeira Denominação de Origem para cafés no Brasil e responsável por 12,7% da produção nacional, deu início, neste sábado (14/3), no Centro de Excelência do Café do Cerrado, em Patrocínio, a um movimento regenerativo estruturado que pretende ampliar o papel da origem na cadeia global do café. A iniciativa começou com o lançamento de uma nova marca territorial, mas vai além da identidade visual: vai formalizar uma estratégia que integra impacto ambiental, inovação produtiva e desenvolvimento territorial como diretrizes permanentes da região.

Com 4.500 produtores distribuídos em 55 municípios do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas Gerais, a região responde por cerca de 6 milhões de sacas anuais e 12,7% da produção brasileira, com exportações para mais de 30 países.

Região conta com cerca de 4,5 mil produtores distribuídos em 55 municípios e produz 6 milhões de sacas anuais

Segundo Gláucio de Castro, presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado Mineiro, a nova estratégia, desenvolvida em parceira com o Sebrae Minas, consolida uma diretriz de longo prazo em que regeneração deixa de ser prática agrícola isolada e passa a orientar decisões produtivas, comerciais e institucionais. “Não se trata apenas de uma nova marca. Estamos estruturando um movimento em que a origem assume responsabilidade sobre o próprio futuro, combinando produtividade, regeneração ambiental e desenvolvimento econômico”, afirma.

Desde a década de 1990, o Sebrae Minas tem participação no fortalecimento da Região do Cerrado Mineiro

“O Cerrado Mineiro foi pioneiro em Minas Gerais, sendo a primeira região a obter a Denominação de Origem ligada à cafeicultura. Agora, vivemos um momento histórico, com o novo posicionamento de marca que amplia o pensamento e as práticas regenerativas para além da agricultura, com o objetivo de agregar ainda mais valor à região. É uma iniciativa ousada, muito bem embasada e coordenada para impulsionar o desenvolvimento não só da cafeicultura, mas dos diversos setores que movimentam a economia desse território que é sinônimo de pioneirismo, inovação e qualidade”, ressalta o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva.

Desde a década de 1990, o Sebrae Minas tem participação no fortalecimento da Região do Cerrado Mineiro, com atuação voltada especialmente para a qualificação da cafeicultura, por meio de programas de capacitação, consultorias gerenciais do programa Educampo, incentivo à inovação e promoção de acesso a mercados nacionais e internacionais.

Em 2013, a atuação da instituição e das entidades parceiras foi decisiva para a conquista da Denominação de Origem (DO), marco que elevou o reconhecimento dos cafés produzidos no território nos quesitos de qualidade, identidade e valorização do trabalho dos produtores. Além disso, o Sebrae Minas apoia, anualmente, o Prêmio da Região do Cerrado Mineiro, realizado pela Federação dos Cafeicultores do Cerrado. Outra iniciativa é a Rota do Café do Cerrado, em parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG), destino consolidado para o turismo de negócios com diversas experiências nas propriedades de cafés.

Da certificação à regeneração como estratégia

O Cerrado Mineiro foi pioneiro na estruturação de identidade coletiva no café brasileiro. Criou o selo Café do Cerrado em 1995, obteve Indicação de Procedência em 2005 e conquistou a primeira Denominação de Origem para cafés no Brasil em 2013.

Nos últimos anos, a região ampliou sua atuação em práticas regenerativas. Atualmente, possui quase 40 mil hectares certificados em agricultura regenerativa, a maior área do país nesse modelo, e abriga a primeira fazenda de café do mundo a receber certificação regenerativa internacional, concedida em 2022.

Com o novo posicionamento, a regeneração deixa de ser apenas prática agrícola isolada e passa a integrar a estratégia institucional da região. “A origem sempre foi associada à qualidade e rastreabilidade. Agora queremos que ela seja reconhecida também como modelo de desenvolvimento territorial. A proposta é sair da lógica de extrair valor do território e avançar para a lógica de regenerar valor de forma contínua. Estamos organizando para que a regeneração seja modelo operacional, não apenas discurso ambiental”, afirma Juliano Tarabal, diretor executivo da Federação.

Segundo o gerente da Regional Noroeste e Alto Paranaíba, Marcos Alves, o marco amplia as oportunidades comerciais e consolida práticas de gestão, rastreabilidade e promoção da origem como diferenciais para a economia regional. “As mais de cinco décadas da cafeicultura na Região do Cerrado Mineiro representam uma trajetória extraordinária de empreendedorismo e pioneirismo que nos enche de orgulho. Somos uma região que reafirma sua força ao inspirar um futuro sustentável, unindo produtores, cooperativas, parceiros e toda a sociedade em torno de um propósito que vai além do café e transforma, de forma coletiva, todo o nosso território”

Origem como plataforma de desenvolvimento

A nova estratégia amplia o conceito de origem. Além da qualidade, rastreabilidade e do controle geográfico, a Denominação de Origem passa a funcionar como plataforma de integração entre produção, inovação tecnológica, pesquisa aplicada, cooperativismo e formação de novas gerações.

Na prática, o movimento envolve ampliação da área regenerativa certificada; fortalecimento da rastreabilidade da Denominação de Origem; integração de cooperativismo, inovação tecnológica e pesquisa aplicada, estímulo à sucessão produtiva e formação de novas gerações. “O Cerrado Mineiro sempre foi pioneiro na organização coletiva do café brasileiro. Agora damos um passo além ao estruturar a regeneração como diretriz estratégica do território. O café é o produto, mas o ecossistema é o que sustenta o futuro”, diz Castro.

Projeção internacional

Com exportações consolidadas e presença em mais de 30 países, a região busca ampliar sua inserção em mercados que valorizam origem rastreável e compromisso ambiental estruturado.

O reposicionamento também abre espaço para parcerias com centros de pesquisa, investidores e empresas interessadas em cadeias produtivas de impacto positivo. “A discussão global sobre regeneração já ultrapassou o campo ambiental e entrou no campo econômico. O que estamos propondo é que uma origem produtora brasileira assuma protagonismo nessa agenda. Nosso propósito é sermos referência para outras cadeias do agro brasileiro que buscam diferenciação em um cenário global cada vez mais exigente”, afirma Tarabal.

Sobre a Região do Cerrado Mineiro

Primeira Denominação de Origem (DO) para café reconhecida no Brasil, a Região do Cerrado Mineiro abrange 55 municípios, cerca de 250 mil hectares cultivados, sendo 100 mil irrigados, e responde por aproximadamente 6 milhões de sacas por safra, o equivalente a 25,4% da produção mineira e 12,7% da produção nacional. A região reúne 4.500 produtores certificados e é referência global em rastreabilidade, governança e sustentabilidade.

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