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Quase metade das empreendedoras mineiras lidam com uma carga mental desafiadora

Pesquisa do Sebrae Minas confirma que mulheres ainda enfrentam barreiras sociais e econômicas para avançarem no empreendedorismo
Por Karla Lamounier
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Conciliar a gestão do negócio com a vida pessoal ainda é um desafio para uma parcela significativa das empreendedoras mineiras. Embora 44% afirmem estar satisfeitas com esse equilíbrio, uma proporção equivalente relata algum nível de insatisfação — e quase metade (49%) aponta a carga mental constante como o principal obstáculo para se desligarem do negócio, de acordo com pesquisa do Sebrae Minas.

A 4ª edição da pesquisa “Mulheres Empreendedoras”, realizada entre os dias 03 e 19 de fevereiro de 2026, ouviu 1.317 empreendedoras de Minas Gerais, entre microempreendedoras individuais (MEI), donas de microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP). O levantamento buscou identificar o perfil, as motivações e desafios das mulheres à frente dos pequenos negócios.

Segundo o estudo, quatro em cada 10 empreendedoras dedicam de 8 a 12 horas por dia no negócio, e outras 16% trabalham mais de 12 horas diárias. Quando perguntadas sobre o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, 40% disseram estar insatisfeitas. A carga mental constante, a sobrecarga de papéis e a falta de tempo foram os principais motivos apontados para essa insatisfação.

Outro dado de destaque é que metade (50%) das empreendedoras dedicam tempo ao autocuidado ocasionalmente, apenas quando conseguem, enquanto 35% afirmam manter hobbies e atividades físicas de forma regular. Outras 15% disseram que nunca conseguem reservar um tempo para si mesmas.

“A pesquisa evidencia que a tripla jornada e o acúmulo de funções continuam sendo desafios constantes para as empreendedoras mineiras. Esse cenário reforça a importância de políticas e iniciativas que apoiem as mulheres e promovam um ambiente mais favorável ao empreendedorismo feminino”, destaca o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva.

Perfil e motivações

Mais de 60% das empreendedoras têm entre 31 e 51 anos, mais da metade é casada e seis em cada 10 possuem filhos. A maior parcela dos negócios comandados por elas tem até dois anos de mercado (36%), enquanto 30% têm de três a cinco anos, indicando um perfil de empreendimentos um pouco mais consolidados.

A pesquisa revela que a maioria das empreendedoras (65%) iniciou um negócio por oportunidade, ou seja, identificou uma lacuna no mercado e abriu o empreendimento de forma planejada. Outras 35% afirmam que empreenderam por necessidade, ou seja, motivadas por desemprego, necessidade de gerar renda ou falta de oportunidades no mercado formal.

Entre as principais motivações para empreender, estão a realização pessoal e profissional (35%), flexibilidade de tempo (22%) e a busca por independência financeira (21%). “Isso revela como as mulheres seguem em busca de autonomia, de maior liberdade de horários e de trabalhar com algo em que acreditam e que tenha propósito. No empreendedorismo, elas buscam uma forma de conciliar melhor a vida profissional e pessoal, e administrar os cuidados com a casa e os filhos”, ressalta a analista do Sebrae Minas, Arielle Rodrigues.

Ainda assim, elas ainda enfrentam inúmeros desafios para começar seus negócios. Entre os mais citados, estão a falta de conhecimento em gestão empresarial, apontado por mais da metade das entrevistadas (51%); seguido por conciliar trabalho e vida pessoal e a dificuldade de acesso a crédito. Além disso, 60% delas citaram que não participaram de cursos, treinamentos ou mentorias para empreender, o que é outro fator limitante para o sucesso dos negócios.

“Fica claro que, além da coragem e iniciativa para empreender, as mulheres precisam de apoio estruturado para superar barreiras históricas. É preciso, cada vez mais, ampliar ações de orientação, capacitação e acesso a crédito, para que as empreendedoras possam crescer e desenvolver seus negócios de forma sustentável”, frisa o presidente.

Dia a dia do negócio

No cotidiano do negócio, os principais desafios enfrentados pelas empreendedoras estão relacionados às áreas estratégicas. Fazer o marketing aparece como a maior dificuldade, apontada por 56% das entrevistadas, seguido pela gestão financeira, mencionada por 49%. Outras dificuldades apontadas são definir metas e planejamento (39%) e pensar fora da caixa e inovar (38%).

Mesmo diante das dificuldades, as mulheres mostram que seguem atentas às tendências do mercado: 45% delas vendem exclusivamente por canais digitais, enquanto 33% combinam loja física e digital. Apenas 22% atuam exclusivamente em lojas físicas, indicando que a grande maioria aposta no digital para impulsionar as vendas.

Redes de empreendedorismo feminino

A participação em grupos ou redes colaborativas de empreendedorismo feminino é praticamente nula, sendo que 93% das entrevistadas afirmaram que não fazem parte dessas iniciativas. “Isso pode acontecer devido à falta de conhecimento, tempo ou oportunidade. Mas a participação nessas redes é fundamental, pois oferece apoio emocional, capacitações e ambientes de networking que contribuem significativamente para o crescimento dos negócios”, explica Arielle.

Além disso, a maioria das empreendedoras (80%) afirmam que não promovem iniciativas voltadas para a equidade de gênero, visando fortalecer a participação e o protagonismo feminino no mercado.

Empreendedorismo feminino em Minas Gerais

Em Minas Gerais, mais de 40% dos pequenos negócios são liderados por mulheres, conforme aponta levantamento realizado pelo Sebrae Minas, com base em dados da Receita Federal. Do total de 2,6 milhões de pequenos negócios ativos em Minas Gerais, mais de 1 milhão conta com uma mulher no comando. O resultado posiciona Minas Gerais em segundo lugar no Brasil, atrás apenas de São Paulo. Na análise por segmento econômico, o setor de Serviços lidera com mais de 580 mil empresas comandadas por mulheres, seguido pelo Comércio, que reúne cerca de 300 mil empreendimentos sob liderança feminina. Juntos, os dois setores respondem por 83% das donas de negócios no estado.

Programação mês da mulher

No mês de março, o Sebrae Minas terá uma ampla programação voltada ao fortalecimento do empreendedorismo feminino, com atividades em diversas cidades do estado. Confira a programação de Belo Horizonte, clicando aqui.

Empreendedoras de todo o estado podem participar, ainda, da palestra “Autoconhecimento e fortalecimento feminino”, que será promovida no dia 09 de março, ao vivo no Sebrae Play. A palestra será ministrada pela co-fundadora do Podcast Mamilos, Cris Bartis, que irá conduzir uma conversa inspiradora sobre saúde emocional, equilíbrio e escolhas conscientes. Na palestra, ela irá abordar os desafios, emoções e a capacidade das mulheres seguirem em frente com constância, mesmo diante das adversidades.

A palestra é gratuita, com vagas limitadas. Saiba mais pelo link.

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Assessoria de Imprensa Sebrae Minas
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